Pesquisa divulgada pelo Observatório RMP, mostrou que Piracicaba tem 44.927 pessoas em situação de extrema pobreza, segundo dados do CadÚnico até fevereiro de 2023. O número corresponde a 10,3% da população total da cidade, que de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é de 434.432 habitantes. O relatório foi divulgado na sexta-feira (14).
De acordo com a pesquisa, a pessoa que vive em situação de extrema pobreza sobrevive com menos de R$ 210 mensais. De acordo com o relatório, os principais causadores da situação éobaixo grau de escolaridade das pessoas que pertencem ao grupo, o que, por consequência, afeta na colocação dessas pessoas no mercado de trabalho.
No cenário da RMP (Região Metropolitana de Piracicaba), Piracicaba ocupa o segundo lugar na posição de cidades com o maior número de pessoas em situação de extrema pobreza, ficando atrás apenas de Limeira, que tem 52.682 pessoas nessa faixa. Segundo a análise, em toda a região, 221.270 pessoas vivem em extrema pobreza. O perfil analisado mostra que pelo menos 90 mil são crianças, adolescentes ou idosos, faixas etárias que configuram pouca ou nenhuma elegibilidade para o mercado de trabalho.
“Alguns municípios da região convivem com taxas elevadas da população vivendo menos de R$ 210 mensais. Nesses, é comum que a atividade econômica seja menos dinâmica e são municípios que possuem dificuldade em gerar empregos formais. E, quando geram, a maior parcela são de empregos com baixa qualidade e menor remuneração”, analisaram as economistas Cristiane FeltreeEliana Tadeu Terci, responsáveis pelo estudo.
ESCOLARIDADE
Segundo o levantamento, no caso de pessoas elegíveis para o mercado de trabalho, o cenário é de dificuldade na colocação dessas pessoas no mercado de trabalho principalmente por conta da escolaridade. Os dados mostram que 60% dos homens e 50% das mulheres na região possuem apenas o Ensino Fundamental completo. “Na RMP, a maior parte dos empregos formais são ocupados por pessoas que possuem pelo menos o ensino médio completo, o que, para a maioria das pessoas em situação de pobreza ou extrema pobreza, é uma barreiraàentrada no mercado de trabalho”, cita a análise.
“E para aqueles que exerceram atividades remuneradas nos últimos 12 meses, representados por 30% da população pobre ou extremamente pobre, a ascensão profissional por meio de um melhor nível educacional é ainda mais dificultada em função do tempo disponível para a dedicação aos estudos”, complementa.
O relatório indica ainda que políticas de estímulo de crescimento econômico trazem efeitos indiretos à população em vulnerabilidade social, já que o crescimento do trabalho formal aumenta a prestação de serviços gerais. “A demanda por serviços gerais contém um contingente elevado de prestadores de serviços informais. Porém, as geração de empregos formais acaba se concentrando nas faixas de maior qualificação”, conclui.
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