Dados do Serasa Experian mostram que 33% da população de Piracicaba está endividada. Segundo o Mapa da Inadimplência, em janeiro de 2023, data da última pesquisa disponível, 135.439 piracicabanos estavam com o nome sujo. Além dos dados de janeiro, o estudo aponta que desse número, 136.546 piracicabanos começaram 2023 inadimplentes. O estudo foi divulgado no divulgado último dia 24 de março. O número da virada do ano, segundo a empresa de análise de créditos, é o maior em três anos. O estudo indica que o número de endividados no fim do ano passado é 9,63% maior, com relação a 2021, quando o ano fechou com 124.557 inadimplentes na cidade. Quando comparado a 2020, o crescimento foi ainda maior, de 13,76%, ano em que 120.033 piracicabanos passaram a virada do ano com o nome sujo. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população de Piracicaba na em 2020, data da última estimativa, é de 407.252 habitantes.
A pesquisa mostra ainda que o número de dívidas abertas em Piracicaba foi o maior em dois anos. Em 2022, 519.286 contas estavam em aberto na cidade, contra 440.802 de 2021, número 17,8% maior. Em 2020, o número de dívidas dos piracicabanos foi de 441.899. A analista de créditos não informou qual é o valor da dívida do piracicabano.
Segundo o economista Ricardo Buso, o aumento no número de endividados acontece principalmente com relação ao consumo e mostra que existem duas perdas simultâneas no poder de compra da população. “A inadimplência começou a crescer por volta de setembro de 2021, que foi quando a inflação atingiu um pico de cerca de 10,21% no acumulado, e isso corroeu o poder de compra das famílias. As famílias passaram a se endividar principalmente no cartão de crédito, que é a modalidade mais cara”, explicou. “Aliado a perda do poder de compra, tem o mercado de trabalho fraco, que até contrata, mas os salários estão diminuindo. Então são duas perdas no poder de compra, pela inflação e pelo salário”, analisou Buso.
De acordo com a pesquisa do Serasa, no Estado de São Paulo, o endividamento acontece, principalmente, no cartão de crédito (31,73% ), contas gerais, como água, luz e celular (21,17%), varejo (7,67%) e telecomunicações (3,85%). A empresa não possui detalhes de dívidas por cidade. De acordo com Buso, esse cenário é ainda mais delicado porque o endividamento está na área do consumo. “Esse endividamento acontece tanto no número de endividados quanto no montante de dívidas. E essas dívidas estão indo para o consumo, não é nem para bens de capital, o que é pior ainda. É um problema de saída bem difícil”, finalizou.
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