O Dia do Bibliotecário é comemorado hoje, 12 de março, e se engana quem acha que sua função é apenas organizar livros em prateleiras. Sua atuação é mais fundamental em nossa sociedade do que podemos imaginar, e isso envolve uma responsabilidade com o tratamento e disseminação de informação em diversos suportes. Segundo Guilherme Belíssimo, bibliotecário da Fumep (Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba) e membro do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo, o compromisso com a ética e com a verdade são um dos pilares do exercício da profissão. “O bibliotecário contribui com os processos educativos, na formação dos indivíduos, na formação do senso crítico, com a evolução da ciência e com a formação de uma sociedade mais justa e bem informada, combatendo às fake news”, explica.
Dentro da Biblioteconomia, os livros representam apenas uma fração. Atualmente, a Biblioteconomia também está ligada à avaliação, classificação, conservação e ao armazenamento. “Com um mundo cada vez mais digital e imediatista, os processos técnicos contribuem para uma localização eficaz da informação necessária e também para sua perpetuação. Os suportes são variados, desde o papel até os dados em ambientes virtuais, porém, o mediador da informação será sempre o Bibliotecário, profissional capacitado para servir de elo entre o usuário e o conhecimento. As práticas e técnicas biblioteconômicas evoluíram junto com a sociedade, e, nesse novo cenário, onde a informação ganha cada vez mais relevância, a Biblioteconomia também tem que se atualizar”, comenta Guilherme.
Já a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo, Ana Cláudia Martins, relata que profissão também integra a questão histórica e cultural, pois a história de um país, de uma cidade, de uma instituição está registrada nos acervos. “Quem não tem passado, não tem histórias. Então, é muito importante preservar os nossos acervos para que nossas gerações futuras possam entender o que aconteceu dentro de seu país, sua cidade e de seu local, por meio desse registro, que torna possível conhecer a identidade do que necessita”, afirma ela
“A preservação e guarda desses materiais, permitem que possamos evoluir conhecendo os erros e acertos obtidos no passado. Existe um ditado que diz que, não existe futuro se não tiver um passado. Sendo assim, as práticas de preservação contribuem paraodesenvolvimento econômico, técnico e científico da sociedade”, completa Guilherme.
Além disso, entre as responsabilidades do Conselho Regional de Biblioteconomia está em fiscalizar o exercício da profissão, atuar na valorização da classe dos bibliotecários, na construção políticas públicas de incentivo à leitura, literatura e bibliotecas e na formação social, intelectual e de cidadania.
BIBLIOTECAS NO BRASIL
A profissão foi regulamentada em 30 de junho de 1962, pela Lei 4.084. Segundo os dados mais recentes do SNBP (Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas), os 26 Estados brasileiros mais o DF têm hoje pouco mais de 5.000 bibliotecas públicas municipais, distritais, estaduais e federais. Esse resultado apresenta uma ausência de quase 800 bibliotecas públicas, totalizando de 6.057 em 2015 para 5.293 bibliotecas públicas em 2020.
Essa informação apresenta, principalmente, que o número das bibliotecas públicas é algo desalentador, podendo tornar o futuro da profissão promissor. Outro tópico, segundo o Conselho, é a inovação da tecnologia, um outro problema que não é uma novidade.
Outro acréscimo de urgência que visa movimentar esses dados,éaLei 12.244/10 que regulamenta que todas as instituições de ensino públicas e privadas do Brasil tenham bibliotecas. Uma luta que tem sido travada há anos e que aguarda solução.
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