CALAMIDADE

Família relata volta para casa após desastre no Litoral Norte

Por Roberto Gardinalli | roberto.gardinalli@jpjornal.com.br
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Cidades do Litotal Morte foram castigadas pelas chuvas no fim de semana de Carnaval
Cidades do Litotal Morte foram castigadas pelas chuvas no fim de semana de Carnaval

Em estado de calamidade desde o último sábado (18), decretado pelo governo federal, cidades do Litoral Norte de São Paulo enfrentam uma tragédia causada pelas fortes chuvas que atingiram a região no final de semana. Os municípios de Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba foram os mais atingidos pelas tempestades.

O desespero da população local, que busca uma forma de sobreviver após enchentes e deslizamentos de terra, se encontra com o medo dos turistas que, agora, começam a procurar formas de sair da região. Na última quarta-feira (22), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pediu para que os turistas voltem para casa para reduzir a pressão dos serviços sobre os serviços no litoral.

Antes do pedido do governador, grupos de turistas já procuravam maneiras de sair da região de forma segura. Esse é o caso da família do corretor de imóveis José Maurício Mofatto, de Limeira, na RMP (Região Metropolitana de Piracicaba), que foi passar o final de semana de Carnaval na cidade de Caraguatatuba, onde possuem uma casa no bairro do Capricórnio, próximo à praia de Massaguaçu. “A chuva começou no sábado à noite, por volta das 21h30, mas era uma chuva bem tranquila. De madrugada, a chuva começou a apertar. Tinha muito raio, trovão. Nós precisávamos ir embora no domingo. Quando eu acordei, saí para fazer uma caminhada e comecei a ter uma noção do que tinha acontecido. Encontrei alguns vizinhos que comentaram que estava tudo alagado”, contou.

Segundo o corretor de imóveis, as saídas próximas à casa onde estavam ficaram comprometidas pela água. Além da chuva, o rio Capricórnio, que corta o município e deságua na praia da Lagoa Azul, havia transbordado. “Temos dois caminhos para sair. Um deles já sai direto na Rio-Santos, mas a estrada estava toda alagada. O outro caminho ainda cai na Rio-Santos, mas um pouco mais para frente. Lá estava mais alagado que a saída principal. Se alguém precisasse ir para o centro da cidade, não conseguia”, contou.

Para que o nível da água transbordada baixasse, a Defesa Civil de Caraguatatuba precisou abrir uma barreira no limite da Lagoa Azul, o que ajudou no escoamento da água. “Toda a água que transbordou do rio foi para o mar. Isso foi depois do meio-dia. Perto das 15h, a água já tinha baixado e conseguimos ir embora. Como o caminho que pagamos não passava por São Sebastião, não chegamos a encontrar deslizamentos de terra até a serra”, explicou.

A intensidade das chuvas na região fez com que o trajeto antigo da serra, usado por quem vai descer para o litoral, fosse interditado. A solução das autoridades foi usar o caminho mais recente, utilizado para quem retorna à Capital e ao interior, para liberar o tráfego. “Fizeram um sistema de pare e siga. Em um certo ponto, formava um comboio que subia até a Tamoios com direção a São José dos Campos. Chegando lá em cima, eles fechavam a pista para quem ia subir e o comboio que ia descer, descia”, comentou. “Na nossa vez, conseguimos subir em 20 minutos. Depois disso, não pegamos mais chuva e conseguimos chegar em casa, aliviados”, finalizou Mofatto.

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