MENTEN

'Os alimentos produzidos no Brasil são seguros', diz especialista

Por Ronaldo Castilho | ronaldo.castilho@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 8 min
Alessandro Maschio/JP
José Otávio Menten, foi secretário de Meio Ambiente de Piracicaba
José Otávio Menten, foi secretário de Meio Ambiente de Piracicaba

Nascido em São Paulo, José Otávio Machado Menten, é casado com Andréa Moreira Menten, com quem tem duas filhas, a Mariana que é administradora de empresa e reside nos Estados Unidos, e Marcela formada em engenharia agronômica, residente em Uberlândia, Minas Gerais. Menten tem duas netas a Bianca e a Laura. Menten têm sete irmãos, na infância viveu em um sítio, onde existia uma granja, na época Várzea Paulista hoje um município, era distrito de Jundiaí, os seus pais eram produtores rurais, criavam frangos, suínos, comercializam ovos, tinham plantações de eucaliptos, uma pequena propriedade. Menten sempre valorizou a importância do agronegócios já que via em seu pai e avô a dedicação no trabalho. Sempre estudou em escolas públicas. Migrou-se para Piracicaba, para estudar na Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) onde cursou Engenharia Agronômica.

Menten é professor sênior da Esalq/USP, é membro do Copasem (Comitê de Patologia de Sementes), da Abrates (Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes, presidente do Ccas (Conselho Científico Agro Sustentável), sócio da Agroprotect Consultoria em Defesa Vegetal, membro do Cosag/Fiesp (Conselho Superior do Agronegócio) e conselheiro do Clube de Campo de Piracicaba. Engenheiro Agrônomo, é mestre em Fitopatologia, Doutor em Agronomia, Livre Docente em Proteção de Plantas, com pós-doutorado em Resistência e Epidemiologia (Holanda), Patologia de Sementes (Dinamarca) e Biotecnologia (Inglaterra).

Realizou cursos de especialização sobre Cultura do Feijoeiro (Colômbia) e Melhoramento de Plantas (Áustria). Foi membro e presidente do Fealq (Conselho Curador da Fundação de Estudos Agrário Luiz de Queiroz). Foi pesquisador do IAC (Instituto Agronômico de Campinas, da Embrapa, do Cena (USP) e do CNPq. Trabalhou no programa Feijão/Fitopatologia do Ciat/Colômbia e foi perito internacional a Iaea (Agência Internacional de Energia Atômica), na Áustria e Venezuela. Foi coordenador do curso de Engenharia Agronômica da Esalq/USP, representante da USP no Crea-SP, na Cesesp (Comissão de Educação Sanitária em Defesa Agropecuária no Estado de São Paulo) e no Mapa. Foi professor da Unimar (Universidade de Marília) e da Unipinhal (Universidade do Espírito Santo do Pinhal). Em Piracicaba foi vereador, secretário da Agricultura e Abastecimento, secretário do Meio Ambiente e Diretor do Ihgp (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba).

Nesta entrevista ao Persona do Jornal de Piracicaba, o professor faz um balanço sobre os defensivos agrícolas e o agronegócios.

Os alimentos produzidos no Brasil são seguros quanto aos resíduos de defensivos?

Os alimentos produzidos no Brasil são seguros. Quando se preocupa com os eventuais resíduos, e defensivos agrícolas nos alimentos, isso tem sido frequentemente monitorado, por dois programas oficiais em nosso país. Um desenvolvimento pelo Ministério da Saúde, por intermédio da Anvisa que se chama Programa para Análise de Resíduos de Alimentos, o outro é o Programa Nacional de Resíduos Contaminantes em Alimentos sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura, tem demonstrado o número de amostras que estão inconformidades no Brasil é muito pequena, isso significa que o uso de defensivos agrícolas ou produtos fitossanitários ou agrotóxicos é feito de maneira adequada. Esses produtos são seguros e desde que bem utilizados, principalmente no que se refere ao uso da dose de registro e que se obedeça, o que chamamos do período de carência que é o tempo a última aplicação e a colheita, a quantidade de resíduos está dentro do estabelecido na legislação, não trazendo nenhum risco a saúde, desta forma, os consumidores de alimentos podem adquirir os produtos nas gôndolas dos supermercados com bastante segurança, esse monitoramento de resíduos que é feito além dessas instituições de estado, os próprios supermercados fazem esse acompanhamento. Estamos com certeza produzindo alimentos no mesmo nível dos países mais desenvolvidos do mundo, tanto que o Brasil exporta os seus alimentos para mais de 150 países, colocando o Brasil como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, e se os nossos alimentos tivessem alguma restrição, os países não importariam os alimentos do Brasil.

O Ministério da Agricultura aprova sozinho o registro de novos defensivos?

Os produtos usados na proteção de plantas, os inseticidas, herbicidas, fungicidas, eles passam por um rigoroso processo de registro, isso envolve não apenas o Ministério da Agricultura, que faz a avaliação dos processos agronômicos, mas também o Ministério da Saúde por intermédio da Avisa, quem fazem os estudos toxicológicos e o Ministério do Meio Ambiente pelo Ibama, que faz os estudos ambientais, dessa forma, um produto defensivo agrícola, produto fitossanitário ele só é disponibilizado para uso pelo registro após todos os estudos referentes a esses produtos, serem aprovados pelos três órgãos. De tal forma, os produtos são seguros, é importante que eles sejam usados de maneira adequada, para isso existe toda uma orientação para os agricultores, de uma maneira geral os agricultores usam com bastante cuidado, porque se usado em excesso eles encarecem os custos, reduzindo o lucro dos produtores.

Por que o número de registros de defensivos aprovados neste ano aumentou?

Existe um grande esforço das empresas que desenvolvem os defensivos agrícolas, tanto químicos como biológicos, para o desenvolvimento de produtos cada vez melhores. Quando falamos de produtos químicos, para que se desenvolva um novo defensivo químico, a um investimento de cerca de 250 a 350 milhões de dólares, e um trabalho de desenvolvimento e aproximadamente dez anos, com a participação de profissionais extremamente competentes. Após esse processo de desenvolvimento, onde existe os critérios agronômicos, ambientais e toxicológicos e cada vez mais rigorosos, os produtos têm que passar pelo processo de registro antes de serem colocados para comercialização. É importante salientar que os produtos novos têm melhores características, tanto no ponto de vista agronômico como ambiental e toxicológico, sejam disponibilizados, diante disso, existe um esforço das empresas para desenvolver esses produtos. É favorável para a sociedade que novos produtos sejam desenvolvidos, registrados e disponibilizados para os agricultores. É importante também salientar que a competitividade entres as empresas é saudável, dessa forma o custo desses defensores agrícolas podem ser o menor possível, de tal forma não haja o encarecimento no valor dos produtos dentro das propriedades rurais.

Os produtos liberados são defensivos novos?

A maior parte dos produtos registrados e dessa forma liberados, não são novos, são chamados de defensivos genéricos, são novas formulações de ingredientes ativos ou produtos técnicos que já estavam no mercado. O custo do desenvolvimento do produto novo é muito alto, e os cuidados para que a haja a liberação de um produto novo é muito maior, enquanto o registro de um genérico, que é uma a utilização de um produto de um ingrediente ativo já registrado, mas que apresenta algumas inovações em termos de formulação o registro é muito mais rápido. Um produto novo chega a demorar aproximadamente dez anos para ser registrado.

Com mais defensivos disponíveis, vai aumentar o uso nas lavouras?

Não é correto imaginarmos quanto maior o número de defensivos registrados vai haver um maior uso, esse maior número de defensivos tem uma grande vantagem, colocar produtos melhores no mercado e haver uma maior concorrência entre as empresas, reduzindo os custos dos produtos e consequentemente a um menor custo de produção de alimentos, chegando com menor custo ao consumidor final. Os produtores só usam os defensivos quando as outras medidas de manejo de controle das pragas, não forem eficientes. Nós temos que lembrar que as pragas agrícolas elas podem reduzir a produção de alimentos, de fibras em até 50%, de tal forma que é importante que se faça o controle dessas pragas usando todas as medidas, as culturais as genéticas, as físicas, as biológicas para que essas perdas não impactem os custos dos produtos.

Como está o Brasil em relação a outros países?

Um dos maiores é a demora na aprovação de novos produtos, e consequentemente a sua disponibilização para os agricultores, enquanto em outros países que são nossos concorrentes, esses produtos novos, com novas tecnologias que auxiliam na produção de alimentos ficam disponíveis em dois ou três anos, no Brasil esses produtos demoram de oito a dez anos para serem disponibilizados, devido a demora no registro. Isso significa que estamos em desvantagem em relação aos nossos concorrentes em termos de inovações, é importante que se faça uma adequação na legislação, para que os produtos que já são usados em outros países possam ser usados aqui no Brasil, por serem mais eficientes, e trazerem mais segurança no processo de alimentos saudáveis.

Onde ocorrem os casos de contaminação?

A contaminação de alimentos por defensivos agrícolas só ocorrem quando o uso é inadequado, as principais razões para o uso inadequado é quando se utiliza doses acima das registradas, ou não se obedece ao chamado período de carência, que é o tempo da última aplicação e a colheita.

Quais os efeitos dos agrotóxicos na saúde?

Os efeitos na saúde de qualquer produto químico está muito ligado a dose, se o defensivo foi utilizado na dose estabelecida ele não vai causar nenhum impacto na saúde, a contaminação só deve ser preocupante quando a quantidade de resíduo estiver em uma dose que possa interferir em algum processo da fisiologia das pessoas, isso não tem sido constatado nos últimos anos no Brasil. Os consumidores podem com bastante segurança escolher os alimentos nas gôndolas dos supermercados, com uma alta probabilidade que os alimentos produzidos pelos agricultores brasileiros sejam saudáveis, não existem evidências, que tenham pessoas com problemas de saúde, devido a eventuais resíduos que possam estar nos alimentos consumidos pela população brasileira.

E quais são os impactos para o meio ambiente?

Quando se fala em impactos ao meio ambiente, nós sempre estamos preocupados com os efeitos no solo, na água e na atmosfera, e na ação sobre organismos não alvos, como é o caso de peixes, aves e animais silvestres. Todo defensivo agrícola, antes de ser liberado ele passa por uma rigorosa análise do Ibama, que pertence ao Ministério do Meio Ambiente, caso haja qualquer evidência que se possa haver esses tipos de danos ambientais, esse produto não é registrado e consequentemente não é colocado à disposição dos nossos agricultores.

Comentários

Comentários