WE REMEMBER

Ato solene no memorial “Marco da Paz” faz alusão as Vítimas do Holocausto

Por Ronaldo Castilho | ronaldo.castilho@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Alessandro Maschio/JP

Em alusão ao Dia Internacional em Memórias das Vítimas do Holocausto, a Amamos (Associação Memorial Amigos de Sião) e o Word Jewish Congress com o apoio do Impaz (Instituto Marco da Paz) realizou no sábado, 28, às 10h, no Marco da Paz de Piracicaba, que fica localizado no Parque da Rua do Porto, um ato solene alusivo as Vítimas do Holocausto. O evento foi aberto ao público e faz parte das ações da campanha We Remember.

O Dia Internacional em Memórias das Vítimas do Holocausto, foi criado por iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas), através de uma Assembleia Geral, pela resolução 60/7, de 1 de dezembro de 2005. A data 27 de janeiro é carregada de grande significação desde o ano de 1945. Há 78 anos, tropas soviéticas libertaram os últimos prisioneiros sobreviventes do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Era o fim da Segunda Guerra Mundial e por extensão o fim do pesadelo para os judeus, negros, homossexuais, ciganos, maçons, deficientes físicos, testemunhas de jeová e todos aquele que se opunham ao regime nazista de Adolf Hitler.

A frente da organização do evento desde 2018, o jornalista Maurício Ribeiro coordena todas as ações da “Amamos”. “O ato no memorial é uma das formas mais impactantes de se chamar a atenção da comunidade para o perigo que algo tão absurdo quanto o Holocausto torne a acontecer”, disse. “Auschwitz-Birkenau é uma concentração de vários campos, onde muita gente morreu, judeus, ciganos, homossexuais, deficientes físicos, negros, maçons, testemunhas de jeová, opositores do regime nazista, essa data foi instituída pela ONU, desde 2006 fazemos o dia da lembrança, e desde 2018 realizamos o ato em Piracicaba”, salientou.

Ribeiro ainda disse que os números dizem que morreram 6 milhões de judeus oficialmente, mas nunca será possível determinar o número exato. “Seis milhões são números baseados nos registros dos nazistas, nos termos de ingressos no campo de concentração e de pessoas que não se ouviram mais falar, mas a quantidade é muito maior, essa cifra só de judeus, sem contar com as outras minorias”, disse.

No evento aconteceu o ato simbólico do acendimento das setes velas, por sete representantes dos grupos vitimados pelo regime nazista. A primeira vela foi acesa por Luis Milner e Laurisa Cortellazzi (representando as comunidades judaicas de Piracicaba e Rio das Pedras, em memória dos judeus); a segunda vela foi acesa por Maria José de Moraes Barros (representando a pastoral Afro de Piracicaba, em memória dos negros); a terceira vela foi acesa pela cantora e compositora Melissa Antunes Fernandes (em memória dos homossexuais); quarta vela foi acesa pela família Bostani, do Afeganistão, composta de Mohamad Zalmai, sua esposa Fátima e os filhos Arya e Asenath (em memória dos ciganos e refugiados); quinta vela foi acesa por Amis Massis (em memória dos maçons); a sexta vela foi acesa pelo menino Daniel Costa Sacchi (em memória dos deficientes físicos); e a sétima e última vela foi acesa pelos missionários Axel Wandreus e Débora Natiely (em memória das Testemunhas de Jeová). Maurício Ribeiro ressalta o simbólicos das velas. “As velas não são acesas para os mortos, e sim para que os vivos não se esqueçam do que aconteceu”, ressaltou.

Todos os participantes do ato receberam uma pedra pequena vinda de um campo de concentração da Polônia, e no final da solenidade depositaram as pedras ao redor da Menorah Cerimonial.. “É costume judaico, nos atos fúnebres e vista aos túmulos, fazer o depósito de pedras sobre as sepulturas, as pedras, ao contrário das flores, permanecem, como símbolo de respeito, tributo e reconhecimento póstumo”, salientou Ribeiro.

O evento contou a participação do violonista Luís Fernando Fischer Dutra, que no momento do acendimento das velas tocou o hino de Israel – “A Esperança”, e também de José Rissato que tocou o Shofar.

O Jornal de Piracicaba foi homenageado no ato solene. A Associação Memorial Amigos de Sião e o World Jewish Congress conferiram o “Certificado Amigos de Sião” na categoria imprensa com o selo do Prêmio Theodor Herlz. O jornalista Ronaldo Castilho, representou o JP na entrega da homenagem.

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