SAÚDE

Hemoglobina glicada poderá ser fornecida pelo SUS para monitorar o diabetes

Por Ronaldo Castilho | ronaldo.castilho@jpjornal.com.br
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Divulgação
Endocrinologista  Alex Lombardi Barbosa Ferraz fala das vantagens e importância desse tipo de exame
Endocrinologista Alex Lombardi Barbosa Ferraz fala das vantagens e importância desse tipo de exame

Silencioso e grave, o diabetes mellitus atinge cerca 537 milhões de adultos no mundo, alcançando uma em cada dez pessoas com idade entre 20 e 79 anos. Conforme projeção, este quantitativo deverá aumentar para 643 milhões de pessoas em 2030 e 783 milhões em 2045. Em 2021, a doença foi responsável por 6,7 milhões de mortes no mundo. Estima-se que 8,5% da população da América do Sul e Central possuam diabetes. No Brasil, a prevalência de casos está aproximadamente em 8% da população, ocorrendo especialmente entre adultos e idosos, sendo responsável pelas amputações de mais de 9 milhões de pacientes entre 2021 e 2022, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Ministério da Saúde. O diabetes mellitus é um transtorno metabólico de origem heterogênea, podendo envolver fatores genéticos, biológicos e ambientais. A doença é decorre da deficiência na produção de insulina na ação no corpo. A insulina é o hormônio que atua na regulação de açúcar no sangue (glicemia), a sua diminuição causa o aumento da concentração de açúcar (hiperglicemia).

Segundo médico endocrinologista da Unimed e da Santa Casa Saúde Piracicaba, Alex Lombardi Barbosa Ferraz, os principais fatores de risco são: história familiar, idade acima de 45 anos, sedentarismo, excesso de peso e, em mulheres, histórico de diabetes em gestação prévia. “Existem muitas pessoas que não sabem que possui a doença, muitas vezes o diagnóstico é atrasado porque a doença pode ser assintomática nas fases iniciais”, disse.

De acordo com Lombardi, o fator agravante é a dificuldade para iniciar o acompanhamento clínico e realizar os exames que confirmam o diagnóstico. “Dentre os exames usados existe a dosagem da hemoglobina glicada, a qual indica a média da glicose no sangue nos últimos três meses, este exame auxilia no diagnóstico e também serve para monitorar o tratamento. Este exame já é amplamente disponível em laboratório de análises clínicas, porém ainda não é oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), como consultórios ou postos de saúde.

A recomendação preliminar da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) foi desfavorável à incorporação do Point-of-care testing de hemoglobina glicada para pacientes diabéticos. Esse tema foi discutido durante a 114ª Reunião Ordinária da Comissão, realizada no dia 9 de novembro de 2022. Na ocasião, o Plenário considerou o elevado custo da tecnologia e o impacto orçamentário. Uma Consulta Pública pela Conitec analisou a possibilidade do fornecimento pelo SUS do exame de Hemoglobina Glicada “point of care”, ou seja, os exames seriam realizados próximo ao local onde se encontra o paciente, utilizando aparelhos que permitem a análise do sangue e informam o resultado em questão de minutos. A Consulta Pública ouviu membros da sociedade civil, entidades, organizações sociais, representantes de iniciativas público e privadas,ecoletar dados a serem agregados ao relatório técnico. Disponível até o dia 26 de dezembro, a consulta está em análise.

“Essa novidade, caso aprovada permitirá um avanço significativo no diagnóstico precoce do Diabetes, bem como no tratamento de milhares de pacientes, reduzindo o risco de complicações, como infarto do miocárdio,oacidente vascular cerebral, a nefropatia, que pode levar à insuficiência renal crônica, earetinopatia, que pode levar à cegueira”, alertou.

Segundo o médico endocrinologista, a única forma de evitar estas diversas complicações é manter o controle adequado da doença. “O tratamento é individualizado, conforme o julgamento do médico que assiste o paciente. Existem diversas opções de medicamentos, seja por via oral ou injetável, além do tratamento farmacológico é fundamental a adoção de mudanças no estilo de vida, como a dieta adequada, prática regular de atividades físicas eocontrole de peso”, explicou.

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