MORADOR DE RUA

Oferta do serviço do Núcleo Califórnia foi ampliada para 24 horas

Por Da Redação | Jornal de Piracicaba
| Tempo de leitura: 3 min
Flávia Perez/Prefeitura de Piracicaba
João Pedro Zupo e Rodrigo Maciel Zupo sendo atendidos no Núcleo Califórnia
João Pedro Zupo e Rodrigo Maciel Zupo sendo atendidos no Núcleo Califórnia

Cada história de moradores em situação de rua, se baseia em problemas reais que acometem jovens e idosos, homens e mulheres. Alguns buscam as ruas para fugir da violência doméstica ou conflitos familiares, outros, para terem liberdade no uso de substâncias psicoativas e depois não conseguem retornar. Há ainda aqueles que buscam oportunidade de emprego longe de sua cidade natal e, por não conseguirem, fazem das ruas um lar, da solidariedade humana, o pão de cada dia.

Rodrigo Maciel Zupo de 39 anos e João Pedro Zupo de 64 anos, são de Tietê, pai e filho. Há pouco mais de um mês precisaram entregar ao proprietário a casa onde moravam e passaram a viver em situação de rua, utilizando dos serviços ofertados no município até chegarem em Piracicaba há pouco mais de oito dias. “Assim que chegamos em Piracicaba, soubemos do atendimento realizado pelo Centro Pop e Casa de Passagem e buscamos apoio. Foi feito um estudo do caso, foram feitos os encaminhamentos necessários e entraram em contato com a minha irmão em Minas Gerais, para onde iremos agora”, contou Rodrigo, que está em busca de trabalho e não vê a hora de reencontrar parte da família.

Há aproximadamente cinco anos em situação de rua, Drica de 42 anos, conta que encontrou em Piracicaba uma chance de se reconectar consigo mesma. A decepção e a falta de emprego foram os motivos que a levaram a essa situação. “Sempre trabalhei com carteira registrada, mas devido a uma  grande decepção e o desemprego, não tive apoio familiar e me reconstruí nas ruas, com as pessoas que conheci. Não quero muito para mim, quero apenas viver em paz, conseguir uma casa para morar e condições para me manter”, disse. Drica vende balas nas ruas e trabalha com faxinas em residências.

Entre as pessoas em situação de rua, os migrantes muita vezes ficam na cidade em busca de trabalho ou estão de passagem e têm o desejo de retornar à família.

“É importante entender que este é um público muito flutuante. Alguns estão apenas de passagem, outros se instalam na cidade durante um tempo e tem aqueles, ainda, que permanecem”, explicou a secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Euclidia Fioravante.

Segundo a Smads o município libera passagens intermunicipais e interestaduais, de acordo com os critérios da Nota Técnica da pasta, para atendimento dessa população. Em 2021 foram liberadas 76 passagens, e em 2022, 193 passagens, sendo a maioria para municípios do estado de São Paulo.

Dos casos atendidos e acompanhados, cerca de 20 deles retornaram à família ou para a cidade de origem e 15 conseguiram ocupação profissional, a partir da articulação realizada pela equipe do serviço. Os demais chegaram ao município em busca de banho, alimentação e passagem para a cidade mais próxima.

Ainda segundo a Smads, a pasta além do Centro Pop e a Casa de Passagem, o município dispõe do Seas (Serviço Especializado em Abordagem Social), que identifica os casos de situação de rua e faz encaminhamento para rede socioassistencial e dos serviços do Núcleo de Acolhimento Califórnia, onde os usuários são acompanhados por equipe formada por assistente social e psicólogo. De janeiro a novembro de 2022 o núcleo atendeu 765 pessoas.

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