Chegar em casa e do trabalho e não poder tomar um banho. Abrir a torneira e só ouvir o ar saindo dos canos. Pensar em uma alternativa para ter água para cozinhar. Esses relatos são de moradores da região dos bairros Santo Antônio, Jardim Vitória e Jardim Dona Lourdes em Piracicaba, que enfrentam um problema antigo, que parece não ter fim.
A falta de água atinge a população local todos os dias e por horas. Alguns deles já passam por esse problema há anos, como a comerciante Amanda Quadros. “Desde que eu vim morar aqui, há seis anos, acaba a água toda noite. Entre 21h e 23h e das 4h às 6h da madrugada, nunca tem água aqui”, contou. “De uns tempos para cá, começou a faltar água de manhã ou de tardezinha, começo da noite”, disse.
Com a insegurança no abastecimento de água, a família de Amanda precisou encontrar soluções para ter água à disposição para atividades básicas dentro de casa. “Eu já tenho o costume de economizar, já pego a água da máquina de lavar roupa e guardo para lavar o quintal. Ou então, a água com amaciante eu já deixo no tanque para usar em outra lavagem. Eu tenho a caixa d’água, que dá para usar no chuveiro ou para dar descarga. Quando acaba, eu ainda consigo me virar”, disse.
Mesmo com o reservatório preparado para o uso, a água ainda é pouca, e ela precisou encontrar outras alternativas. “Para cozinhar eu uso água comprada. Mas tem o pessoal que não tem isso, então quando acaba, eles vêm aqui pedir um balde d’água emprestado para poder pelo menos dar uma descarga. Isso é horrível, horrível”, desabafou. “A água da caixa é pouca, mas pelo menos eu tenho. Imagina você usar o banheiro antes de dormir e só poder dar a descarga no outro dia de manhã. Ou, então, às vezes a água acaba na hora que os homens chegam do trabalho, e eles não conseguem nem tomar banho. A gente paga a rede de água, rede de esgoto, e quando chega naquele momento de tomar um banho, não consegue”, comentou a comerciante.
Além das reclamações de Amanda, vídeos enviados por moradores mostram o desespero das pessoas que moram nos bairros da região. Nos relatos, quando as torneiras são abertas, o que sai do cano é o barulho do ar. Também é comum ver nos quintais tambores cheios de água já usada, que vão ser aproveitados para outros serviços domésticos. “Eu tenho um tambor de 200 litros aqui, que eu uso para economizar a água da máquina de lavar roupa, no quintal tenho mais um de 40 litros e outro de 200 litros que eu tento pegar a água da chuva, quando chove. Quando não chove, aqui no Santo Antônio é uma calamidade sem água”, diz um morador. “Além de me incomodar, eu sinto pelas pessoas que não tem condições de colocar uma caixa d’água”, desabafou Amanda.
Questionado sobre a situação, o Semae informou que as oscilações acontecem por conta de obras que afetam a região. “Equipes do Semae trabalham há dias na região a fim de normalizar o abastecimento. Foi realizada manutenção de rede na avenida Roma, no Jardim Três Marias, e outra na avenida Corcovado, em Santa Terezinha. O reabastecimento de água acontece de forma gradual”, cita em nota. Além disso, foi informada que existe a previsão de uma obra na rua Nelson Schevano no dia 30 de dezembro para o conserto de um vazamento.