SAÚDE

Jovens e adultos correm risco de sofrer perdas auditivas pela exposição aos sons

Por Ronaldo Castilho | ronaldo.castilho@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Alessandro Maschio/JP
O JP consultou um especialista no assunto, o otorrinolaringologista da Santa Casa de Piracicaba, Antônio Luiz Lordello Chaim.
O JP consultou um especialista no assunto, o otorrinolaringologista da Santa Casa de Piracicaba, Antônio Luiz Lordello Chaim.

Ouvir música em fones de ouvidos geralmente no volume mais alto é um hábito entre os jovens, que tem preocupado especialistas. Recentemente a revista científica BMJ Global Health estima que mais de 1 bilhão de jovens e adultos em todo mundo correm risco de sofrer perda de audição por ter essas práticas. O estudo, diz que há uma urgente prioridade em focar em medidas preventivas da saúde aditiva.

Foram analisados 33 artigos publicados em inglês, espanhol, francês e russo entre 2000 e 2021, com a participação de 19.046 jovens entre 12 a 34 anos de 20 países diferentes. Grande parte dos estudos foi sobre o uso de fones de ouvido, enquanto a outra avaliação foi sobre os impactos à audição em locais de entretenimento que utilizam músicas com som alto.

Descobriram que 48% dos participantes estiveram expostos a níveis de ruído em locais barulhentos, como shows e boates. Foi constatado também que 24% dos jovens usaram excessivamente fones de ouvido em dispositivos de celular, em aplicativos de streaming. Tendo como base a estimativa da população mundial para entre 12 e 34 anos de 2,8 milhões de pessoas no mundo, o resultado foi que entre 666 milhões e 1,35 bilhões de jovens e adultos podem prejudicar a própria audição. Os danos dependem da intensidade, duração e frequência de exposição aos ruídos. As pessoas que estão sujeitas aos danos, colocam o volume do celular em algo como 106 dB (decibéis), o equivalente a uma britadeira.

O JP consultou um especialista no assunto, o otorrinolaringologista da Santa Casa de Piracicaba, Antônio Luiz Lordello Chaim. “Os traumas agudos e crônicos, causados principalmente com a poluição sonora têm preocupado a Organização Mundial da Saúde, que preconiza que o volume até 50 dB é tolerável, no entanto, o uso acima disso pode causar lesão auditiva, trazendo prejuízos à audição”, explicou.

Chaim também disse que existe dois tipos de lesões. “As lesões podem ser agudas produzida por arma de fogo, bandas de rock, rojão ou as chamadas crônicas que são os traumas diários que a OMS está preocupada, ou seja, ruídos em indústria -  por isso o trabalhador tem que usar o protetor auricular - , e os fones de ouvidos, que são utilizados diariamente nos smartphones em academias, para fazer caminhadas, praticar exercícios físicos. O uso constante desse objeto em volume acima do considerado ideal pela OMS é extremamente prejudicial”, disse.

Conectados a um smartphone com arquivos de áudio em MP3, os ouvintes geralmente escolhem volumes de até 105 decibéis, e os locais de entretenimento geralmente trabalham na faixa de 104 a 112 decibéis, segundo o estudo.

Dados da Organização Mundial de Saúde estimam que cerca de 15 milhões de pessoas apresentem perda auditiva no Brasil. Isto equivale a cerca de 7% da população. As causas são diferentes de acordo com a faixa etária. “Em crianças, é comum identificar perda de audição decorrente de otites médias, caxumba e rubéola, infecções maternas durante a gestação, causas genéticas e problemas no parto. Em adolescentes, ela começa a se manifestar por sons altos, incluindo aqui o uso incorreto de fones de ouvido. Em adultos, identificamos as perdas auditivas ocupacionais, como pessoas que trabalham em fábricas onde há muito barulho, traumas da orelha, perfuração timpânica, além de algumas causas crônicas, como infecção persistente e o colesteatoma (tumor benigno que cresce no interior do canal auditivo)”, explica o médico.

O primeiro ponto, segundo ele, é lembrar que os fones devem ser pessoais e não compartilhados, para evitar a transferência de bactérias habituais da pele de uma pessoa para outra. Além da higienização do equipamento.

Uma das medidas, é adotar o meio volume como limite, quanto a shows e eventos em ambientes fechados, os conselhos são manter distâncias das caixas de som. Se por um acaso começar a sentir zumbidos procure imediatamente orientação médica.

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