Suspeito de feminicídio é preso; 'ela era doce e batalhadora', diz prima da vítima

Por Roberto Gardinalli e André Pirata |
| Tempo de leitura: 4 min
Claudinho Coradini/JP
Suspeito do feminicídio seria o ex-marido dela, identificado como Marcelo Maciel
Suspeito do feminicídio seria o ex-marido dela, identificado como Marcelo Maciel

A Polícia Militar de Piracicaba prendeu, na tarde desta quinta-feira (1°), o suspeito de ter matado uma mulher de 33 anos, que foi encontrada morta em um quarto do Hotel Antonio’s no início da tarde da última terça-feira, 29 de novembro. A vítima chamava-se Laise Vieira de Andrade.

De acordo com informações da Polícia Civil, o suspeito do feminicídio seria o ex-marido dela, identificado como Marcelo Maciel. De acordo com a delegada Olívia Fonseca, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba, o suspeito se entregou de forma voluntária e não resistiu à prisão. Ele foi encaminhado para a DDM.

Na tarde da última terça-feira, 29 de novembro, a mulher foi encontrada caída no quarto do hotel pela Polícia Civil. Eles chegaram ao local após o suspeito procurar um advogado, que entrou em contato com a delegada da (DDM), para tentar convencer o homem a se entregar.

Segundo as informações da Polícia Civil, a mulher estava vestida apenas com calças e sapatos, e estava com um saco de lixo na cabeça. Na boca dela, foi encontrada uma garrafa de refrigerante. Também havia sangue no local. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).

“O que nos dá a entender é que ele teria praticado o crime, deixado a vítima incomunicável no quarto, porque ele cortou os fios do telefone, desceu até a portaria e falou aos funcionários que ela não queria ser incomodada porque não estava passando bem. De lá, ele foi a pé até o escritório desse advogado para tentar ver o que seria melhor ser feito. Nesse momento, o advogado ligou para nós, na frente dele, para tentar que ele se entregasse”, disse a delegada na entrevista.

Segundo a delegada da DDM, agora a investigação deve apurar as causas do crime. “Já temos o perfil de um homem ciumento, que controlava a vida dessa vítima. Mas não temos como dizer que o crime foi premeditado. Ainda de acordo com a investigação, a mulher já tinha se divorciado antes, mas ainda morava na mesma casa do ex-marido, o que pode ter desencadeado uma crise de ciúmes no suspeito do feminicídio.

QUEIXAS

A equipe da Polícia Civil, encontrou um boletim de ocorrência de ameaça, que foi registrado pela vítima contra o suspeito no ano de 2021. Ela teria pedido uma medida protetiva de urgência à 1° Vara Criminal de Piracicaba. A medida protetiva, no entanto, foi revogada pelo juízo, após informações da Ronda Patrulha Maria da Penha de que o casal estava mantendo contato.

De acordo com a delegada, o suspeito já teve envolvimento com outros crimes, como estelionato, e estava hospedado no Hotel Antonio’s desde o dia 17 de novembro, e informou aos funcionários do local que estava lá porque a casa onde ele mora estaria em reformas. Ele também teria se hospedado em outros hotéis antes desse. “Nós trabalhamos com a hipótese de que ele já estivesse tentando se esconder de alguém, porque são vários dias pernoitando naquele lugar”, disse a delegada em entrevista ao JP.

Prima descreve vítima como “pessoa doce, amigável e batalhadora”

Em entrevista ao JP, Thamirez Gomes, prima da vítima, afirmou que ela e o suspeito se relacionavam há menos de um ano e eram sócios em um estabelecimento comercial. Ela descreveu a vítima como uma pessoa doce, amigável e batalhadora. “Ela era uma pessoa doce, boa mãe, fazia amizade com todos e era batalhadora. Era muito simples, não tinha luxo e estava realizando os sonhos dela agora”, afirmou.

Thamirez disse, ainda, que sua prima amava o suspeito, e havia terminado um casamento, de dez anos, para ficar com o suspeito do feminicídio. “Ela amava ele de fato. Tanto que terminou com o marido, de dez anos, para ficar com ele. Na verdade, ela nunca tinha comentado sobre estar com ele (o suspeito). Contou para a gente faz pouco tempo, porém ninguém imaginava que havia problema entre eles”, contou. “Uma vizinha disse que ele ameaçava o filho dela. Ela tentou terminar uma vez, teve medida protetiva e tudo, mas depois foi retirada porque eles tinham contato ainda”, completou.

A prima da vítima diz que acredita que um dos motivos para o crime é o contato que ela tinha com o ex-marido. “Ele se incomodou porque ela continuou morando com o ex-marido. As roupas e outras coisas dela ainda estavam na casa dele. No hotel só tinha o necessário”, finalizou.

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