A comunidade esportiva de Piracicaba recebeu com satisfação e esperança a aprovação do Projeto de Lei nº 161/2022 referente à Bolsa Esportiva. Reivindicação antiga dos técnicos e atletas do chamado "esporte amador" da cidade, eles esperam que agora as modalidades possam ser melhor assistidas, com maior condição para investimentos, principalmente no que se refere à formação de atletas.
Aprovado na última quinta-feira (17), pela Câmara Municipal, o projeto representa apoio financeiro para suporte técnico e material a esportistas que representam Piracicaba. A proposta, que ainda será apreciada em segundo turno de votação antes de seguir para sanção do prefeito Luciano Almeida, tem orçamento estimado para 2023 e 2024 de R$ 240 mil em cada ano, sem a obrigatoriedade de atingir o teto.
Para o técnico José Batista, que comanda o handebol piracicabano, "foi um esforço coletivo de pessoas que querem o bem do esporte em nossa cidade", disse Batista, que espera um ganho esportivo nos próximos anos. "Acredito que os benefícios virão ao longo do tempo. Poderemos ter um esporte com mais oportunidades e com maior número de praticantes", competou Batista.
"A bolsa atleta é um sonho antigo nosso reivindicado pela sociedade civil que compõe o conselho municipal de esportes desde sua criação e agora foi aprovada com um novo nome: bolsa esportiva", disse o professor Frederico Mitooka, que trabalha com projetos socias e com equipe de competição do taekwondo. Ele disse esperar que o benefício "atenda realmente a população piracicabana e aqueles que representam a cidade, principalmente as crianças e jovens em iniciação esportiva".
Diego Spigolon, do karatê, também aprova a proposta, mas faz uma ressalva: "É importante que a comissão de análise responsável por julgar os pleitos tenham critérios muito bem definidos, pois em minha experiência profissional aprendi que cada modalidade esportiva tem suas peculiaridades em relação a quantidade de federações, divisão de provas, classes, categorias, graduações e isso poderá se tornar um problema", pondera Spigolon.
SEM ÊXODO
Francine Camargo, do tênis de mesa, espera que esse incentivo acabe com o êxodo de atletas. "Essa Lei é de extrema importância para a continuação do trabalho que iniciamos aqui na cidade. Muitas vezes os atletas e demais profissionais formados aqui, precisam sair da cidade por falta de apoio, e com essa Lei, esperamos que isso possa ser diferente", opina. "Já formamos atletas para todas as categorias da Seleção Brasileira, e tivemos que nos despedir deles num certo momento de suas carreiras. Esperamos também que tenha verba suficiente para que o apoio seja amplo para diversas modalidades."
O PROJETO
A Bolsa Esportiva tem três objetivos principais: valorizar e apoiar atletas, paratletas, guias, técnicos, auxiliares técnicos e/ou preparadores físicos, participantes do esporte de rendimento e/ou representativo do município nos treinamentos e nas competições oficiais; incentivar os atletas no processo de formação esportiva e/ou nos treinamentos para as competições esportivas; e apoiar a prática do esporte competitivo, como forma de desenvolvimento social e humano, mediante a concessão de bolsas remuneradas e incentivos técnicos e materiais.
A Bolsa Esportiva será dividida em quatro categorias: Internacional, para esportistas com destaque pan-americano, sul-americano, olímpico, paralímpico e mundial, no valor mensal de até R$ 3.000; Nacional, para atletas, paratletas, guias, técnicos, assistentes técnicos e preparadores físicos de destaque em nível nacional (até R$ 2.500 mensais); Estadual, para competidores e auxiliares com relevância em nível estadual (até R$ 2.000 por mês); e Formação Esportiva, para destaques no setor de formação esportiva de destaque em nível estadual, no valor mensal de até R$ 1.000.
Os interessados em pleitear a bolsa devem estar vinculados a entidades de administração esportiva da respectiva modalidade; ter participado de competições oficiais no ano anterior à requisição da bolsa ou apresentar declaração do técnico de que representará o município a partir daquele ano de vigência da bolsa; e apresentar o plano anual de treinamento e participação em, pelo menos, uma competição oficial da modalidade e categoria. No caso dos atletas menores de 18 anos de idade, será obrigatória a autorização do pai ou responsável e o comprovante de matrícula em instituição de ensino público ou privado.
O técnico José Batista também aprova o projeto