FEMINICÍDIO

Homem que matou companheira com 33 facadas em São José é condenado a 24 anos

Por Thais Perez | Sampi
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
'Parecia o casal perfeito', disse a mãe após a tragédia
'Parecia o casal perfeito', disse a mãe após a tragédia

Caio Cezar Garcia Raimundo de Oliveira, homem que matou a esposa, Diane Cristina, em março de 2021, foi condenado pela justiça a 24 anos de prisão. O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (17) e teve o resultado divulgado no fim desta tarde. A cabeleireira foi morta com 33 facadas em sua casa.

"Foi uma luta constante para a gente poder conseguir essa condenação, mas chegou no final, então já foi um passo dado. Issso não vai trazer a minha filha de volta, mas eu vou ficar com a consciência tranquila", conta a mãe da vítima, Cristina.

Mãe de três filhos, sendo o menor com 4 anos, Diane foi morta em março de 2021, em São José dos Campos, no mesmo dia do aniversário de uma de suas filhas. O acusado era seu marido, de quem havia decidido se separar há poucas semanas antes do crime. 

Com 27 anos, era vendedora e trabalhava como cabeleireira em casa e em domicílio: seu sorriso era seu cartão de visita. Contudo, a expressão que era sua marca registrada foi sumindo nos meses anteriores à sua morte.

A mãe de Diane conta que a filha, antes sempre muito alegre, começou a ter outro comportamento após o início do relacionamento com o acusado. Ela era frequentadora da igreja, onde seu marido havia se convertido. Ambos decidiram morar juntos.

“No começo ele era muito educado. Nós conhecíamos a família dele, mas nunca iríamos imaginar que algo assim fosse acontecer. Parecia o casal perfeito, mas era tudo fachada”, conta Cristina.

A família passou a notar que Diane não saía mais de casa para atender suas clientes. “Comecei a perceber que ele queria controlar ela, mas Diane não percebia. Meu neto dizia que ele o apertava demais quando o abraçava. Quando eu tocava no assunto, ele explodia”, continua.

“Eu sabia que ela não estava bem, mas ela não contava. Dizia que estava tudo bem, tudo normal”, disse Cristina. Antes da agressão final, Diane foi vista com os olhos roxos. Duas semanas depois, disse à mãe que iria se separar.

CRIME

Antes do homicídio, o acusado teria dito à filha do casal que ela iria ganhar um presente que jamais esqueceria. No dia do aniversário da menina, Diane e sua mãe se reuniram com parentes na casa do acusado, para comemorar. “Hoje, a gente sabe que foi como uma despedida”, declara a mãe da vítima.

Quando Diane chegou em casa, houve uma discussão com o marido. “Ele pegou o filho mais novo e colocou-o na sala, para que ele pudesse ver tudo que ele ia fazer com ela”.

De acordo com Cristina, Diane foi agredida e esfaqueada diversas vezes. Antes de morrer, a mulher teria dito ao filho que corresse para o quarto e fingisse que estava dormindo, para que não fosse atacado. No total, Diane levou 33 facadas.

“Foi difícil demais para mim. Foi um baque. Saber que tratamos uma pessoa como parte da família. A gente nunca imagina que isso pode estar acontecendo dentro de casa”, confessa Cristina.

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