SUPERAÇÃO

'O esporte salvou a minha vida'

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Após anos de terror, Neia curte sua 'nova vida' no esporte
Após anos de terror, Neia curte sua 'nova vida' no esporte

Há cerca de cinco anos, Ezidineia Aparecida Gonçalves, a Neia, 52, estava literalmente no fundo do poço. Passava por uma separação traumática, na mesma época em que perdeu a irmã, vítima de câncer. Resultado: entrou em depressão e ainda teve síndrome do pânico. Ficou um ano inteiro doente, sem forças, até descobrir o atletismo.

Começou aos poucos, foi se envovendo e, com as corridas e novas amizades, seus traumas foram se dissipando. "O esporte salvou minha vida", afirma ao JP, com toda convicção. 

Hoje, quem a conhece, não imagina os desalentos pelos quais passou. Criou e lidera um grupo de corrida, a equipe "Kazamigas Piracicaba", está à frente de projetos sociais e ajuda várias meninas que têm problemas de relacionamento semelhantes aos que ela enfrentou. Uma verdadeira inspiração!

A HISTÓRIA

"Eu entrei em depressão devido a uma separação abusiva. Fui casada por 26 anos e foi uma separação conturbada. Além disso, perdi a minha irmã com câncer. E ainda tive síndrome do pânico. Não conseguia ficar em lugar nenhum", conta.

Devido a essas crises, Neia chegou a ficar totalmente dependente de sua filha. "Ela tinha até de dar banho em mim. Tinha muita falta de ar; do nada dava isso. E também crise de choro. Era uma sensação horrível", lembra.

Após chegar ao fundo do poço, ela entendeu que tinha de começar a fazer algo para mudar esse destino: foi quando teve a ideia de se matricular em uma academia. "Lá, eu conheci algumas meninas que faziam treino de quinta-feira na Área de Lazer (Rua do Porto). Um dia fui até lá e fui direto para a corrida", recorda.

Essa rotina, então, começou a fazer parte da vida dela, mas, nessa época, ela ainda tomava antidepressivos. "Com o tempo, porém, eu fui largando o remédio. O esporte salvou a minha vida. Hoje eu estou curada porque eu busquei a ajuda de Deus e do esporte", conta, emocionada.

Ao encontrar o esporte e, empolgada com sua "nova vida", Neia montou há quatro anos o grupo de atletismo "Kazamigas Piracicaba" para ajudar outras mulheres. "Comecei com 15 meninas e hoje somos 280 mulheres. É um grupo de autoajuda. Faço hoje esse projeto social para auxiliar a quem precisa", completa.

FRALDAS

No próximo dia 15, ela e o grupo "Kazamigas" farão um treino na avenida Cruzeiro do Sul, às margens do Rio Piracicaba, a fim de arrecadar fraldas para uma família muito carente da cidade. "Nós estamos sempre tentando fazer alguma coisa para ajudar alguém e em especial às mulheres", diz.

E no próximo dia 20, ela pretende também participar da Corrida do Alvinegro. "Claro que vou. Sou quinzista", enfatizou. A prova acontece desde 2013 e tem como objetivo homenagear o XV de Novembro, tradicional clube de Piracicaba que neste ano conquistou pela segunda vez o título da Copa Paulista de Futebol.

Neia conta que sua equipe participa de várias provas sempre com o objetivo de dar assistência a outras pessoas. "Nós fizemos um ciclo de amizade bacana e sempre vou ajudá-las. Porque tem homem que, infelizmente, não respeita as mulheres. Por isso, juntas somos mais fortes. Quando estamos correndo ou quando estamos caminhando nós somos mais felizes", finalizou.   

O grupo "Kazamigas". começou com 15 meninas e hoje são 280 mulheres

Neia teve depressão, síndrome do pânico e hoje é inspiração para outras meninas

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