Há cerca de cinco anos, Ezidineia Aparecida Gonçalves, a Neia, 52, estava literalmente no fundo do poço. Passava por uma separação traumática, na mesma época em que perdeu a irmã, vítima de câncer. Resultado: entrou em depressão e ainda teve síndrome do pânico. Ficou um ano inteiro doente, sem forças, até descobrir o atletismo.
Começou aos poucos, foi se envovendo e, com as corridas e novas amizades, seus traumas foram se dissipando. "O esporte salvou minha vida", afirma ao JP, com toda convicção.
Hoje, quem a conhece, não imagina os desalentos pelos quais passou. Criou e lidera um grupo de corrida, a equipe "Kazamigas Piracicaba", está à frente de projetos sociais e ajuda várias meninas que têm problemas de relacionamento semelhantes aos que ela enfrentou. Uma verdadeira inspiração!
A HISTÓRIA
"Eu entrei em depressão devido a uma separação abusiva. Fui casada por 26 anos e foi uma separação conturbada. Além disso, perdi a minha irmã com câncer. E ainda tive síndrome do pânico. Não conseguia ficar em lugar nenhum", conta.
Devido a essas crises, Neia chegou a ficar totalmente dependente de sua filha. "Ela tinha até de dar banho em mim. Tinha muita falta de ar; do nada dava isso. E também crise de choro. Era uma sensação horrível", lembra.
Após chegar ao fundo do poço, ela entendeu que tinha de começar a fazer algo para mudar esse destino: foi quando teve a ideia de se matricular em uma academia. "Lá, eu conheci algumas meninas que faziam treino de quinta-feira na Área de Lazer (Rua do Porto). Um dia fui até lá e fui direto para a corrida", recorda.
Essa rotina, então, começou a fazer parte da vida dela, mas, nessa época, ela ainda tomava antidepressivos. "Com o tempo, porém, eu fui largando o remédio. O esporte salvou a minha vida. Hoje eu estou curada porque eu busquei a ajuda de Deus e do esporte", conta, emocionada.
Ao encontrar o esporte e, empolgada com sua "nova vida", Neia montou há quatro anos o grupo de atletismo "Kazamigas Piracicaba" para ajudar outras mulheres. "Comecei com 15 meninas e hoje somos 280 mulheres. É um grupo de autoajuda. Faço hoje esse projeto social para auxiliar a quem precisa", completa.
FRALDAS
No próximo dia 15, ela e o grupo "Kazamigas" farão um treino na avenida Cruzeiro do Sul, às margens do Rio Piracicaba, a fim de arrecadar fraldas para uma família muito carente da cidade. "Nós estamos sempre tentando fazer alguma coisa para ajudar alguém e em especial às mulheres", diz.
E no próximo dia 20, ela pretende também participar da Corrida do Alvinegro. "Claro que vou. Sou quinzista", enfatizou. A prova acontece desde 2013 e tem como objetivo homenagear o XV de Novembro, tradicional clube de Piracicaba que neste ano conquistou pela segunda vez o título da Copa Paulista de Futebol.
Neia conta que sua equipe participa de várias provas sempre com o objetivo de dar assistência a outras pessoas. "Nós fizemos um ciclo de amizade bacana e sempre vou ajudá-las. Porque tem homem que, infelizmente, não respeita as mulheres. Por isso, juntas somos mais fortes. Quando estamos correndo ou quando estamos caminhando nós somos mais felizes", finalizou.
O grupo "Kazamigas". começou com 15 meninas e hoje são 280 mulheres
Neia teve depressão, síndrome do pânico e hoje é inspiração para outras meninas