As manifestações de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições de domingo (30), pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já refletem na população. Neste sábado (2), alguns postos de combustíveis de Piracicaba já informavam a falta de álcool nas bombas ou de gasolina.
AUMENTO
Apesar de a Petrobras manter congelado há 60 dias o preço do combustível para as refinarias, a gasolina continua subindo de preço nos postos de abastecimento, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na semana de 23 a 29 de outubro, o combustível teve alta de 0,6%, com preço médio em todo o País de R$ 4,91 por litro, ainda se mantendo abaixo dos R$ 5.
O preço máximo de revenda encontrado pela ANP foi de R$ 7,34 por litro e o mais baixo, de R$ 3,49 por litro.
Já o preço do diesel S10 caiu 0,6%, para uma média de R$ 6,68, com o valor mais alto atingindo R$ 8,49 e o mais baixo, R$ 5,96 por litro.
GÁS MAIS BARATO
Já o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) de 13 quilos, ou gás de cozinha, teve queda de 0,2% na revenda, para uma média de R$ 109,86. O preço mais alto encontrado pela agência no período foi de R$ 149 e o mais baixo, de R$ 83 por botijão.
Durante a campanha eleitoral encerrada no domingo passado, a queda no preço dos combustíveis foi uma das principais bandeiras que o presidente Jair Bolsonaro utilizou para sinalizar à população que o governo tomara medidas para reduzir o valor do insumo. A zeragem de impostos federais contribuiu para a queda de preços, além da redução dos impostos estaduais, mas também contribuiu para o cenário o fato de o preço do barril do petróleo ter caído nos últimos meses. Essa realidade, porém, mudou nas últimas semanas, devido à instabilidade no cenário internacional, e o preço do petróleo voltou a subir, de forma a pressionar a Petrobras, que ainda assim evitou reajustes.
Conforme o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), na terça-feira anterior à eleição a gasolina da estatal estava 12,27% (ou R$ 0,46 por litro) mais barata do que os preços internacionais, e o diesel, 14,13% (ou R$ 0,80 por litro). Mesmo sem reajustes nas refinarias, a pressão inflacionária levou a aumentos no preço dos combustíveis nos postos.
167 BLOQUEIOS NO PAÍS NESTE FERIADO
O feriado de 2 de novembro começa com 167 pontos de bloqueios e interdições nas rodovias do País, segundo informe divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) por volta das 6 horas desta quarta-feira. Ainda há ocorrências no Acre, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Paraná, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.
O total de manifestações bolsonaristas desfeitas pela corporação chegou a 563, conforme o boletim mais recente.
Santa Catarina segue sendo o Estado com mais bloqueios e interdições, 37. São Paulo, que chegou a ter oito na terça-feira, agora tem três.
Os manifestantes contestam a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas contra o presidente da República e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), e parte deles, contrariando a Constituição do Brasil e agindo de maneira golpista, pede que haja intervenção militar para impedir o petista de assumir a Presidência do País.
Ao longo da madrugada, a maior parte das manifestações nas estradas de São Paulo passou a se concentrar às margens das rodovias federais.
Na rodovia Régis Régis Bittencourt, que, na terça, registrou bloqueios, interdições e pneus queimados pelos manifestantes, as vias começaram a ser totalmente liberadas.
DISCURDO BOLSONARO
Quase 45 horas após a confirmação da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente Jair Bolsonaro finalmente se pronunciou na tarde da terça sobre o resultado das urnas.
O chefe do Executivo não reconheceu diretamente ter sido derrotado no domingo, mas evitou questionar a vitória do adversário e fazer críticas frontais ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao TSE.
Bolsonaro disse ainda que o fechamento de estradas federais por seus apoiadores são "fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral".
Ele ponderou, no entanto, que os métodos de manifestação devem ser outros. "As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedades, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir", disse, em ataque à esquerda brasileira.