ECONOMIA

Reduzir a pobreza, retomar investimentos e controlar o câmbio: quais desafios para 2023?

Por Nani Camargo | Jornal de Piracicaba
| Tempo de leitura: 3 min
Claudinho Coradini/JP
Reduzir a pobreza e o endividamento das famílias são desafios
Reduzir a pobreza e o endividamento das famílias são desafios

Duas situações óbvias norteiam o futuro do candidato que ganhar a eleição presidencial hoje. A primeira, é que o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu concorrente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terão pela frente um país dividido para governar. A segunda é que o principal desafio, entre tantos pelo caminho, é, sim, a economia.

O JP consultou dois economistas que opinaram sobre as demandas que terão que ser atacadas. “Coloco como os temas socioeconômicos mais relevantes e desafiadores para a próxima gestão a redução da vulnerabilidade social e o controle da taxa de câmbio”, diz Cristiane Feltre, que também é pesquisadora do Observatório da Região Metropolitana de Piracicaba. Já Luiz Eduardo Gaio, professor da Unicamp, cita três enfrentamentos: diminuir o endividamento das famílias, controlar os gastos públicos e retomar investimentos.

“A vulnerabilidade social foi intensificada com a crise sanitária. No mês de agosto deste ano já haviam sido cadastradas no CAD Único mais de 22 milhões de famílias em situação de extrema pobreza ou pobreza. Políticas de geração de emprego podem refrear o processo de empobrecimento da população, porém, se não acompanhadas de controle da inflação, tendem a ser inócuas e um número ainda maior de famílias pode ser arremessado à condição de vulnerabilidade financeira”, diz Cristiane.

Em relação ao controle da taxa de câmbio, a economista disse que nos dois últimos anos, produtos essenciais à sobrevivência e à produção industrial e agropecuária sofreram com elevações de preços puxados por preços internacionais e desvalorização cambial. “A desvalorização, apesar de ter gerado receitas de exportação expressivas para alguns segmentos econômicos, foi definitiva para o aumento de preços como combustíveis, insumos agrícolas e alimentos. Quem mais sofre essa situação é a classe trabalhadora, que vem convivendo há um bom tempo com arrocho salarial e inflação. Acredito que a melhora do ambiente internacional, a recuperação da imagem política do Brasil no exterior e a melhora dos fundamentos macroeconômicos internos possam levar a nossa taxa de câmbio a patamares menores do que os atuais, reduzindo a pressão sobre os custos de produção no Brasil e tornando o mercado internacional um pouco menos atrativo para os exportadores de alimentos”, explica.

Já Luiz Eduardo Gaio avalia que o Brasil vem apresentando bons indicadores econômicos, “muito pelas questões eleitorais, onde há uma injeção de recursos públicos e controles de preços”. No entanto, para 2023, ele avalia uma realidade diferente. “O presidente eleito terá alguns desafios econômicos para enfrentar. O primeiro é o endividamento das famílias. Apesar da queda do desemprego, as famílias ainda possuem um nível de endividamento elevado. O que compromete o consumo e crescimento da economia. Há também o desafio com o controle dos gastos públicos. O congelamento dos salários dos servidores, em resposta à pandemia, resultará em uma pressão por reposição salarial em 2023. Gastos com folha de pagamento é o segundo maior da estrutura orçamentária da União”, destaca. 

O terceiro desafio é a retomada dos investimentos, diz. “Com um orçamento restrito, e prioridades sanitárias, os investimentos em estrutura (principal alavanca de crescimento) foram desconsiderados da pauta de governo. Enfim, os desafios se potencializam com a política polarizada e uma sociedade dividida”, finaliza.

 

POLÍTICA

E sobre a polarização, o JP consultou Marcela Machado, doutora em Ciência Política, professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB). Ela diz que Lula deverá ter mais dificuldade de governabilidade junto ao Congresso Nacional devido à composição da Câmara Federal e do Senado. “Ninguém governa sozinho e Bolsonaro terá maior facilidade de negociar suas pautas, tendo em vista que seus aliados são maioria”, declarou.

 

 

 

 

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