A professora Lorena Faria, do IFSP (Instituto Federal de Educação) Campus Capivari, vivencia uma situação que pode ser caracterizada como racismo institucional. Ela é autora de um projeto cultural e educacional aprovado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e pelo IFSP, que entregou gratuitamente à Secretaria de Educação de Capivari 1500 cartilhas educacionais, para serem usadas nas escolas municipais entre setembro e novembro.
A cartilha “Criança pode Umbigar? Sim!”, foi inspirada na história da Umbigada que está presente na cultura de cidades da RMP (Região Metropolitana de Piracicaba), como Capivari e Piracicaba.. Lorena conta que foi firmada uma parceria com a prefeitura de Capivari, que abraçou o projeto, fazendo inclusive divulgações a respeito e propondo um projeto de lei aprovado por unanimidade em agosto - a "Semana Anicide Toledo - primeira voz feminina do Batuque", para embasar ainda mais a presença do projeto do Batuque nas escolas municipais.
A partir daí houve formação de professores da rede sobre a faixa etária e forma de utilização das cartilhas, com a presença de mais de 100 profissionais, entre coordenadoras e professores dos ensinos fundamental e infantil.
Tudo ia bem na aplicação do projeto, com a adesão da prefeitura e das escolas, até que o suplente de vereador João Flausino (MDB), protocolou requerimento junto à prefeitura da cidade, em 23 de setembro, para retirada do projeto das escolas. O político, que é membro de uma igreja evangélica, pediu o fim do projeto na cidade.
A prefeitura, diante do movimento do suplente, decidiu então suspender as apresentações, e por consequência a aplicação da cartilha nas escolas. Segundo Lorena, a atitude representa um grande prejuízo para as crianças e uma vulnerabilidade maior para a comunidade batuqueira, já estigmatizada no município.
Diante da falta de respostas da prefeitura, a professora disse que vai procurar o Conepir (Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial) para orientação.