Com a justificativa de alterar a gove rnança do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), a Prefeitura de Piracicaba pode estar cometendo ingerência, tirando autonomia da autarquia, segundo aponta parecer da própria Procuradoria Geral do município, que foi ignorado pela administração municipal. O documento, assinado por três procuradores, cita que a proposta do Executivo não atende ao decreto federal de 1.967 que instituiu o conceito jurídico de autarquia.
De acordo com o projeto de lei enviado à Câmara Municipal, temas de grande importância para a gestão do Semae passam a ter aprovação prévia de um conselho de administração formado pelos secretários municipais de Finanças, Administração e Defesa do Meio Ambiente e pelo procurador-geral do município.
A proposta ainda prevê a criação de um conselho fiscal com a função de acompanhar as contas da autarquia, fiscalizar e zelar por sua saúde financeira, deixando para a diretoria executiva apenas as ações de gestão e execução das políticas previamente aprovadas pelos órgãos de controle.
Na Casa de Leis, o projeto do prefeito Luciano Almeida não encontrou resistência e recebeu pareceres favoráveis das comissões de Finanças e Orçamento; Obras, Serviços Públicos e Atividades Privadas; e Legislação, Justiça e Redação.
A matéria constava da pauta de votação desta segunda-feira (17), mas recebeu pedido de adiamento por três sessões, apresentado pelo vereador Rerlison Rezende (PSDB).
A prefeitura foi questionada anteontem pela reportagem e rechaçou que a proposta retira autonomia do serviço municipal. “O Semae não deixa de ser autarquia. Já existia um conselho consultivoeagora ele passa a ser deliberativo. A mudança proposta pelo projeto de lei é na estrutura, visando implementar uma gestão que priorize a fiscalização das contas públicas dos órgãos de Administração Indireta, para buscar mais eficiência na prestação de serviços à população”, informou em nota.
No parecer, a Procuradoria Geral informou que entende a necessidade da implantação de conselhos de administração e fiscal, mas cita a preocupação da proposta configurar ingerência na natureza jurídica da autarquia. “Quando toda a decisão sobre a gestão administrativa e financeira da autarquia é delegada aos agentes políticos da administração direta, deixa de fazer sentido a manutenção da administração descentralizada em um serviço autônomo”, traz o parecer. Os procuradores também sugerem que o jurídico da autarquia fosse consultado.
A reportagem questionou novamente a prefeitura sobre o parecer ignorado e a administração informou que seria necessário mais tempo para responder aos questionamentos.
Comentários
1 Comentários
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Danilo Diehl 19/10/2022Nessa batida, até o final do mandato do nosso estimado mandatário o SEMAE já foi para a fila da privatização. Lamentável.