OUTUBRO ROSA

Cecan da Santa Casa tem 1.200 novos casos por ano e 20% deles são de câncer de mama

Por Nani Camargo | Especial para o JP
| Tempo de leitura: 5 min
Alessandro Maschio/JP
'Câncer de mama ocorre com mais frequência após os 50 anos”, explica o oncologista do Cecan, Fernando Medina
'Câncer de mama ocorre com mais frequência após os 50 anos”, explica o oncologista do Cecan, Fernando Medina

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. No Cecan (Centro do Câncer) da Santa Casa de Piracicaba são atendidos uma média de 1200 casos novos de câncer anualmente, sendo o câncer de mama representando mais de 20% de todos os casos e 30% do câncer de mulher.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o câncer de mama é responsável por 10% dos casos de câncer na raça humana e 30% do total de câncer na mulher. É o câncer mais incidente na mulher no mundo inteiro e também no Brasil sem contarmos com os tumores de pele. No Brasil, este ano, espera-se um total de 66.280 casos novos com 16.000 óbitos devido à doença. No Cecan da Santa Casa, em 2021, foram atendidos 280 casos novos.

“Um dos fatores de riscos mais importantes, depois de ser mulher, que representa 99% dos casos; e o homem apenas 1%, é a idade. O câncer de mama ocorre mais frequentemente nas mulheres após 50 anos, com o pico máximo com a idade de 65 anos, portanto, uma doença da terceira idade”, explica o oncologista do Cecan, Fernando Medina da Cunha.

No entanto, um alerta tem feito as campanhas do Outubro Rosa focar a prevenção, também, em outras idades. “Estamos observando um aumento da incidência em mulheres jovens até mesmo com idade inferior a 35 anos de idade. Nos últimos 2 anos, 5% dos casos de câncer de mama ocorreram nestas mulheres que historicamente representavam não mais que 2%. Portanto, mais que dobrou de incidência. Provavelmente, isto se deve a mudança do estilo de vida das mulheres na atualidade, como ter menor número de filhos, ou não ter filhos, ou ter filhos com idade mais avançada após os 30 anos, o sedentarismo, obesidade e alimentação inadequada e rotina de vida estressante. Deve-se lembrar que os tumores mamários mais agressivos acometem a mulher jovem exatamente neste grupo que estão fora do rastreamento mamográfico”, diz o médico.

PANDEMIA

O oncologista avalia os danos causados pela pandemia nesta área da medicina. “Para o setor de oncologia foi terrível pois muitas pessoas que tinham rotina de fazer exames preventivos deixaram de fazê-los devido à dificuldade de acesso e pelo medo de ir às instituições de saúde. Muitos hospitais suspenderam as cirurgias eletivas devido à falta de vagas nas UTIs. A cirurgia é um dos principais pilares do tratamento do câncer e sua suspensão causou enormes prejuízos para os pacientes tanto no diagnóstico (biópsias) quanto no tratamento. Hoje estamos assistindo uma verdadeira avalanche de casos avançados que há muito tempo não tínhamos. Muitos deixaram de fazer diagnóstico precoce da doença”, declara.

O diagnóstico de câncer de mama não é uma sentença de morte. Quando detectado em estágio clinico 0 ou seja, doença dentro da célula mamária, que se chama carcinoma “in situ”, a chance de cura é de 100% virtualmente. “Quando a doença está localizada na mama, 99% de cura; doença locoregional, 86%; e quando a doença já disseminou para outros órgãos o índice de controle é de 29%; portanto, a diferença entre a vida e morte é o diagnóstico precoce. Fazer autoexame mamário uma vez por mês, ir ao mastologista ou ginecologista pelo menos a cada 3 anos na idade entre 20 e 40 anos; e fazer mamografia após os 40 anos, uma vez ano, reduz a mortalidade por câncer de mama em 30%”, finaliza o especialista.

MULHERES

Claudineia Bolívio tem 53 anos. É revendedora e mora no Bairro Astúrias, em Piracicaba. Descobriu o câncer de mama em 2002, em uma véspera de Natal. “Minha ginecologista examinou, mas não deu para sentir exato o que era. Ela pediu ultrassom e apareceu um nódulo. Repeti o exame depois de 6 meses. Fui encaminhada para retirar o nódulo e fazer biopsia. Só que demorei 4 meses para buscar o resultado. Só decidi ir quando senti um outro. Aí veio a confirmação do carcinoma”, contou ao JP.

Em abril de 2004, Claudineia fez mastectomia. Realizou sete meses de quimioterapia. “Uma fase muito difícil. Depois, passei por mais 3 cirurgias para reconstrução da mama”.

Claudineia achou que estava curada, mas, recentemente, teve a triste notícia. “Ele voltou. Como não tenho a mama, está no meu pulmão. Já estou tratando com medicamento e logo começo a quimioterapia. Vou enfrentar de novo”, conta.

Maria Angela Lima, 45 anos, esteticista e moradora do Bairro Alto, também enfrentou um câncer de mama. Descobriu após ter dores na mama direita. “Fui encaminhada rapidamente para o mastologista, que logo marcou a cirurgia, onde foi removido o tumor, apenas o quadrante. Uma semana após a cirurgia, o tratamento por quimioterapia também iniciou. Foram 8 sessões e 33 sessões de radioterapia. Durante algumas sessões de quimio, me sentia fraca, enjoada, com dores musculares e falta de apetite. Já durante as sessões de radio, as consequências eram menores, apenas houve ressecamento no local da aplicação. Porém, nem todos os dias eram ruins, 10 dias após cada sessão de quimio, o corpo se recuperava, era o momento em que eu me sentia disposta para as atividades diárias. Sair de casa com a minha filha era o meu momento favorito”, conta.

Angela está curada. “Principalmente por Deus, pelos médicos e o apoio da minha família. Em dezembro fará 7 anos desde que tudo aconteceu”.

E o que ambas têm em comum, além do enfrentamento de uma doença tão dura? A fé é a resposta certa! “Quando a gente descobre, a sensação é que o mundo acabou. Mas, o importante, é o pensamento positivo, alegria e fé. Jamais segure o choro, viva cada sentimento e acredite. A família é muito importante para o tratamento”, diz Claudineia.

Angela também se apega na esperança. “Tente levar as coisas um dia de cada vez. O susto é inevitável, mas sempre tem solução. Por mais difícil que seja, tente levar com leveza, seja positiva, paciente e esperançosa! Logo as coisas voltarão a ser como antes, ou até melhor, já que você aprende a aproveitar as pequenas coisas da vida. E viva a vida!”.

VIVA A VIDA

Piracicaba conta com uma associação sem fins lucrativos que auxilia mulheres com câncer. A presidente do grupo é Joseane Léo Pires. “Somos em 40 voluntárias, é um trabalho maravilhoso”, conta.

A Viva a Vida tem 35 anos de fundação e é mantida com verba arrecadada em eventos – como o brechó. “Proporcionamos acolhimento, autoestima, amparo, ajuda psicológica, assistência jurídica. Elas aprendem a costurar, ficamos juntas e distraímos a cabeça. Oferecemos sutiã para próteses mamárias, perucas e medicamentos. É um trabalho completo”, cita.

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