PROFª BEBEL

Estamos na luta e nas ruas para vencer em São Paulo e no Brasil

Por Beto Silva |
| Tempo de leitura: 6 min
Alessandro Maschio/JP
Deputada estadual do PT foi reeleita com 74% a mais de votos em relação a 2018
Deputada estadual do PT foi reeleita com 74% a mais de votos em relação a 2018

A deputada estadual Professora Bebel (PT) foi reeleita com 155.857 votos, a

maior votação de Piracicaba para uma cadeira na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). Bebel é nascida no bairro de Artemis, é presidenta da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de Ensino do Estado de São Paulo),e foi eleita pela primeira vez no ano de 2018, com 87.169 votos. Nessa entrevista ao Persona a deputada reforça o conceito de   mandato popular voltado às causas sociais e educação pública.  Ela fala do seu compromisso com o Estado de

São Paulo e toda a RMP (Região Metropolitana de Piracicaba), assim como com a educação pública de qualidade, além da luta por moradia, pela mulher, do idoso, da juventude, dos servidores públicos, população LGBTQIA+, negros e negras, indígenas, dos trabalhadores sem-terra, por todos os grupos sociais oprimidos da nossa sociedade, e por políticas públicas para acolher os que mais precisam e garantir a geração de emprego e renda, ajudando a combater a fome e gerando desenvolvimento com mais qualidade de vida para todos. Questões que, segundo ela, compõem a linha dorsal do Partido dos Trabalhadores.  Para eleger Fernando Haddad governador do Estado de São Paulo e Lula a presidente motiva a retomada da campanha até o segundo turno, que acontece no próximo dia 30. Para isso, Bebel reforça que a militância siga mobilizada, indo às ruas.  A deputada agradece a acolhida que teve nas cidades que visitou durante a campanha. 

 

A senhora recebeu mais de 155 mil votos nessas eleições, um aumento de 74% em relação a 2018. A que a senhora atribui o aumento de votos?

Em primeiro lugar, quero agradecer aos eleitores do estado de São Paulo e, especialmente de Piracicaba e de toda região, pelo reconhecimento e confiança

depositados no nosso mandato, por meio do voto. Acredito que o resultado se deve ao trabalho que realizamos, cumprindo os compromissos assumidos e, também, à ampliação desse trabalho, lutando, além das causas educacionais, defesa dos serviços e dos servidores públicos, dos direitos dos segmentos oprimidos, na defesa da mulher, da juventude, do idoso, e dos setores mais vulneráveis da população, em defesa da vida durante a pandemia, a luta pelo direito à moradia, pela reforma agrária e outras. Essa abertura, ao mesmo tempo em que tem me desafiado, tem também ampliado a fronteira para o meu nome no Estado. Acredito que também teve peso nesse resultado nosso obsessivo empenho pelo fim do injusto confisco salarial imposto pelo

governo Doria/Rodrigo Garcia aos servidores aposentados e

pensionistas do Estado de São Paulo, e defesa da saúde, por meio do fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde) e do Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo).

 

Quais projetos e demandas a senhora pretende desenvolver nesta segunda legislatura?

Darei continuidade aos nossos

compromissos, agora de forma ampliada. Além de continuar me empenhando pela educação pública de qualidade e direitos dos professores e servidores, pelo fim do confisco dos aposentados, pela ampliação no número de professores a serem contratados através  de  concurso público, uma vez que temos uma defasagem

de 100 mil na rede estadual, lutarei pela aprovação do Plano Estadual do Servidor Público, pela derrubada do veto ao projeto que institui o Programa Estadual de Alimentação Escolar, pela rede de proteção às mulheres e outros projetos de minha autoria que já tramitam na Alesp. Ao mesmo tempo, promoverei novas audiências públicas, uma das marcas de meu mandato popular, para ouvir os mais diversos segmentos que possam nos propor novas iniciativas em benefício do povo paulista. Entre as minhas prioridades está a luta para que a Região

Metropolitana de Piracicaba em que darei atenção especial para que saia do papel e ganhe efetividade por meio de financiamento e uma gestão compartilhada e participativa entre Estado e municípios. A RMP (Região Metropolitana de Piracicaba) pode ser um grande avanço se tiver, de fato, um plano regional e não se reduza a um aglomerado urbano com denominação nova. Para isso, é fundamental a definição de um Regime de Colaboração, que irá orientar as novas relações entre os municípios, o equilíbrio e o desenvolvimento sustentável.

 

Como ficam as bancadas da Alesp em relação à formação, como a senhora avalia a eleição dos parlamentares?

 A bancada progressista e de esquerda se ampliou. É bem verdade que a extrema direita também cresceu, o que nos faz prever fortes embates na Casa a

partir de março de 2023. É do meio feitio dialogar com todas e todos no interesse das pautas que defendo e dos direitos e necessidades do povo paulista. Essa também é tônica preponderante na bancada do meu partido, o Partido dos Trabalhadores. A campanha eleitoral aproximou a esquerda e nos aproximou também de outros setores democráticos, o que considero que será muito benéfico para a nossa atuação na Alesp  Também será benéfico para a composição da Mesa Diretora da Casa.

 

Contrariando as pesquisas, o ex-presidente Lula conseguiu uma vitória apertada em relação ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Como o Partido dos Trabalhadores está se organizando para este segundo turno, tanto para eleger o presidente como para garantir a vitória do candidato ao Governo do Estado, Fernando Haddad?

O presidente Lula ganhou o primeiro turno com mais de 6 milhões à frente do nosso adversário. Não é pouca coisa e é claro que gostaríamos de ter resolvido a questão no primeiro turno, até porque haveria mais tempo para a transição, que é absolutamente necessária na situação que vivemos, onde muito terá que ser revisto e reconstruído. Evidentemente um segundo turno nessas condições guarda muitos desafios, mas estamos confiantes com os apoios recebidos e com a possibilidade de esclarecer melhor a população e debater de forma mais clara as nossas propostas para o Brasil. No Estado de São Paulo também temos um grande desafio. Mas, como eu disse, a eleição em segundo turno tem suas características próprias e espaço para que nosso candidato Fernando Haddad possa demonstrar seu preparo e suas propostas para governar São Paulo, enquanto nosso adversário sequer conhece realmente a realidade e os problemas do nosso estado. Já estamos na luta e nas ruas para vencer em São Paulo e no Brasil. 

 

O presidente Bolsonaro conseguiu eleger um grande número de senadores, a senhora acredita que na eventual vitória do candidato Lula, essa base pode ser empecilho para as pautas do governo?

Não será fácil, mas o presidente Lula já provou que consegue fazer muito pelo nosso país mesmo nas condições mais adversas. Sem nenhum desrespeito ao parlamento, ele também dialoga com os movimentos, com as entidades e com todos os segmentos sociais, o que se reflete nas casas legislativas. Haverá, sim, grandes obstáculos, mas o nosso país precisa ser reconstruído e esse fato se imporá sobre todos os outros. É importante assinalar que a bancada do PT também cresceu, tanto na Câmara quanto no Senado e isso demonstra que o povo quer mudanças efetivas no país.

 

Trazendo a mesma questão para a Assembleia Legislativa, na vitória do candidato Haddad, o trabalho do Governo do Estado ante apoiadores e opositores será mais tranquila?

A característica dos governantes do PT é o diálogo e profundo respeito pela democracia. Nossas experiências nos governos têm sido de um comportamento

absolutamente republicano, onde prevalece o interesse do povo, em discriminação ou favorecimentos indevidos. Assim será o governo Fernando Haddad no relacionamento com a Alesp.

 

Em mais uma eleição, Piracicaba não elegeu um deputado federal. Qual a avaliação da senhora sobre essa questão. A cidade perde em representatividade na Câmara Federal?

Sim, é verdade que a importância e o peso da nossa região não se refletem hoje na Câmara dos Deputados. Eu acredito, porém, falando pelo meu partido, que continuaremos a ter parceiros importantes no Legislativo federal e trabalharei para que Piracicaba e Região permaneçam sendo atendida em seu anseios e necessidades. Esperamos que na próxima eleição possamos ter uma representação à altura no plano federal.

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