‘Monkeypox, a varíola dos macacos, atinge pessoas de todos os gêneros’

Por edicao_jp |
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No final do mês de julho, a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que a monkeypox - varíola dos macacos - constitui uma emergência de saúde pública de importância internacional por conta do potencial de rápida disseminação da doença em todo o mundo. No Brasil, desde que o primeiro caso foi confirmado no dia 9 de junho, já são mais de 1,7 mil pessoas contaminadas e diversos casos suspeitos.

No total, foram registrados em Piracicaba até o momento, 11 casos da doença, desde o dia 1º de agosto, sendo um bebê de um ano de idade do sexo feminino e os demais do sexo masculino, com idades entre 23 e 38 anos e uma mulher, de 28. Todos acompanhados pela Vigilância Epidemiológica.

Com o avanço dessa patologia, o Ministério da Saúde busca soluções para evitar um maior adoecimento da população e anunciou que iniciará o processo de imunização de grupos mais suscetíveis (imunocomprometidos). Até lá, no entanto, a população precisa estar atenta às informações corretas sobre a doença. O principal é lembrar que, diferente do que se dissemina, a doença não é específica de determinado grupo de acordo com sua orientação sexual. A doença, popularmente chamada de ‘varíola dos macacos’ atinge pessoas de todas as idades e gêneros, é o que diz Tufi Chalita, médico infectologista do Instituto de Vacinação e Infectologia de Piracicaba, formado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Ao Jornal de Piracicaba, o médico esclareceu dúvidas e trouxe informações sobre cuidados com a doença.

O que é a varíola dos macacos?

A monkeypox, (varíola dos macacos) é uma doença viral, causada por um vírus monkeypox do gênero Orthopoxvirus e família Poxviridae, que foi diagnosticada e identificada pela primeira vez no século passado, na década de 1960 e que não tem nada nenhuma proximidade com macacos. Na verdade, ela foi identificada primeiro nos macacos e, por isso, ficou conhecida no mundo científico como “varíola dos macacos”. Os primatas não humanos (macacos) não são reservatórios do vírus da varíola. Embora o reservatório seja desconhecido, os principais candidatos são pequenos roedores (p. ex., esquilos) das florestas tropicais da África, principalmente na África Central e Ocidental. Essa doença tem caráter endêmico em alguns países da África Central e da África Ocidental. Ao longo da história da saúde pública mundial, nós tivemos alguns surtos de varíola dos macacos em alguns países, como, por exemplo, nos Estados Unidos, mas surtos curtos, com poucos casos. O que nós estamos vivendo agora é a primeira grande contaminação em países não endêmicos, ou seja, países que não são da África Central e da África Ocidental.

Quais são os principais sintomas?

A doença começa, quase sempre, com uma febre súbita, forte e intensa. O paciente também tem dor de cabeça, náusea, exaustão, cansaço e fundamentalmente o aparecimento de gânglios (inchaços popularmente conhecidos como “ínguas”), que podem acontecer tanto na região do pescoço, na região axilar, como na região perigenital. A manifestação na pele é chamada de papulovesicular uniforme, que são feridas ou lesões pelo corpo.

Após contato com o vírus, em quantos dias começam os sinais e sintomas?

O intervalo de tempo entre o primeiro contato com o vírus até o início dos sinais e sintomas da varíola dos macacos (período de incubação) é tipicamente de 3 a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias. Após a manifestação de sintomas como erupções na pele, o período em que as crostas desaparecem, a pessoa doente deixa de transmitir o vírus a outras pessoas. As erupções na pele geralmente começam dentro de um a três dias após o início da febre, mas às vezes, podem aparecer antes da febre. As lesões podem ser planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas, que secam e caem. O número de lesões em uma pessoa pode variar de algumas a milhares de lesões. As erupções tendem a se concentrar no rosto, na palma das mãos e planta dos pés, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo, inclusive na boca, olhos, órgãos genitais e no ânus.

Como ocorre a transmissão?

A principal forma de transmissão da varíola dos macacos é por meio do contato com: animal silvestre (roedores) infectado, pessoa infectada e materiais contaminados com o vírus. Esse contato acontece por pele/pele, secreções, erupções e lesões na pele, fluidos corporais (tais como pus, sangue das lesões) de uma pessoa infectada. Feridas na boca também podem ser infectantes, por isso que o vírus pode ser transmitido por meio da saliva, ou por objetos pessoais do paciente infectado. É extremamente importante pensarmos que, uma vez que o paciente está infectado, com o diagnóstico laboratorial concluído, ele fique em isolamento e que todo seu material de roupa de cama, roupas, lençóis e objetos pessoais como utensílios e pratos, passem por um processo de higienização, de lavagem com água e sabão para, dessa forma, impedir a transmissão do vírus. Atualmente, não se sabe se o vírus pode ser transmitido por vias de transmissão sexual (por exemplo, através de sêmen ou de fluidos vaginais), mas o contato direto da pele com as lesões ou saliva contaminada, durante as atividades sexuais pode transmitir o vírus. A exposição a contaminação nas relações sexuais não se limita a pessoas sexualmente ativas ou homens que fazem sexo com homens. Qualquer pessoa que tenha contato físico próximo com alguém infectado está em risco.

Quem está mais exposto à infecção por monkeypox (varíola dos macacos)?

Pessoas que tem contato próximo com pacientes infectados estão mais expostos à infecção. Isso incluem os familiares, parceiros próximos (incluindo sexual) e os trabalhadores da saúde, que devem ter especial atenção para o uso de equipamentos de proteção individual. São considerados grupos de risco os imunocomprometidos, gestantes e crianças, os sinais e sintomas podem levar a complicações e até a morte.

Quais complicações a varíola dos macacos pode gerar? As complicações decorrentes de casos graves de incluem infecções secundárias na pele causadas por bactérias, pneumonia, confusão mental, desidratação ou desnutrição causada pela dificuldade de ingerir líquidos quando há muitas lesões orais, e infecções nos olhos que podem resultar na perda da visão.

Como as pessoas podem se proteger?

A principal forma de proteção é a prevenção. Assim, é aconselhável evitar o contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. E no caso da necessidade de contato (por exemplo: cuidadores, profissionais da saúde, familiares próximos e parceiros, etc.) utilizar luvas, máscaras, avental e óculos de proteção. Pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem cumprir isolamento imediato, não compartilhar objetos e material de uso pessoal, tais como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente, talheres, até o término do período de transmissão. Lave regularmente as mãos com água e sabão ou utilize álcool em gel, principalmente após o contato com a pessoa infectada, suas roupas, lençóis, toalhas e outros itens ou superfícies que possam ter entrado em contato com as erupções e lesões da pele ou secreções respiratórias (por exemplo, utensílios, pratos). Lave as roupas de cama, roupas, toalhas, lençóis, talheres e objetos pessoais da pessoa com água morna e detergente. Limpe e desinfete todas as superfícies contaminadas e descartar os resíduos contaminados (por exemplo, curativos) de forma adequada.

O que fazer se eu estiver doente?

Se você achar que tem sintomas compatíveis, procure uma unidade de saúde para avaliação e informe se você teve contato próximo com alguém com suspeita ou confirmação da doença. Se possível, isole-se e evite contato próximo com outras pessoas. Higienize as mãos regularmente e siga as orientações para proteger outras pessoas da infecção.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado de forma laboratorial. A amostra a ser analisada será coletada, preferencialmente, da secreção das lesões. Quando as lesões já estão secas, o material encaminhado são as crostas das lesões.

Como é o tratamento da varíola dos macacos?

O tratamento da varíola dos macacos, em geral, é o que chamamos de tratamento de suporte. Geralmente, o paciente precisa de uma boa hidratação, se estiver com dor de cabeça tomar um remédio analgésico, se estiver com febre, tomar um antifebril e, fundamentalmente, a higienização das lesões.

Laís Seguin
lais.seguin@jpjornal.com.br

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