Luiz de Almeida Mendonça é um grande contador de histórias aos 88 anos
Após a divulgação da cápsula do tempo, a Escola Estadual Sud Mennucci recebeu uma visita inesperada: o ex-aluno mais antigo que já estudou na instituição, o advogado Luiz de Almeida Mendonça. Prestes a completar 89 anos no dia 4 de outubro, Mendonça gosta de contar boas histórias repletas de aventuras e possui uma memória rica de lembranças.
Mendonça estudou na instituição de 1950 a 1954, juntamente com os seus irmãos: Sávio, Cecília, Joaquim, Sebastião e Benício Neto, todos formados professores. Ele contou ao JP, que na época fundou o “Jornal Estudantil Sud Mennucci”, ideia que surgiu devido ao seu cargo de revisor no período de 1952 até 1955 no próprio Jornal de Piracicaba, quando ainda era estudante. “A minha experiência foi porque eu trabalhava com o Dr. Losso Netto. Ele tinha uma Underwood (marca da máquina de datilografia). Ele batia o artigo e mandava publicar, era um homem super inteligente”, conta o ex-aluno. “O jornal era montado. Eu lia inteirinho para depois imprimir, naquele tempo eram quatros páginas. Minha mesa era do lado do Losso Netto”, completa ele.
Tempos repletos de histórias marcantes em sua juventude, Luiz também conheceu a sua esposa Zuleica Mendonça, no Sud Mennucci. “Eu estudava na quarta série e de repente entrou na sala de aula um moço e uma moça e eles dividiram a mesma cadeira, sentando os dois pela metade. Eu fiquei bravo, não briguei com o cara, mas não gostei. Mas tomei a namorada dele, que hoje é minha esposa”, brinca ele.
Casados há 64 anos, tiveram três filhos: o oftalmologista Benício Mendonça, a cirurgiã dentista Elaine Conceição e o advogado Marcelo Mendonça, já falecido. E, também, os netos: Valéria e George.
O casal contou que na época em que eram estudantes nunca ouviram falar da cápsula do tempo. Segundo o advogado, o hall que se encontrava a cápsula, era um ambiente proibido para os alunos. Surpresos com a divulgação nos jornais da cidade, não pensaram duas vezes em ir até à Escola para contarem sobre suas histórias e experiências vividas na época. “É algo importante. É um fato histórico, eu gosto muito de história. Eu gosto de contar muitas histórias”, comenta sobre a cápsula.
Da época, se lembrou de alguns professores, como Demóstenes dos Santos Corrêa, Arquimedes Dutra, João Dutra, Rossini Dutra, Guilherme Vitti, João Arruda, Zelinda, Argino da Silva Leite, Benedito de Andrade, Lino Sancigollo, Francisco Godoy, Mariazinha Teixeira Mendes, um professor de latim que recorda ter o apelido de “Linguinha” e o professor de Língua Francesa, Antônio de Moraes Sampaio – que o ensinou a cantar a música francesa “Marcellesa”.
Sobre os velhos tempos, Luiz de Almeida Mendonça define a época com uma única palavra: felicidade. “Como era gostoso estudar no Sud Mennucci”, relembra ele. “Eu sou o único cidadão vivo de todos os anos. Eu sinto-me satisfeito, orgulhoso e alegre. Eu apenas não consigo ficar muito tempo em pé e não subo escadas, mas eu sou cheio de vida”, finaliza ele.
Fernanda Rizzi
fernanda.rizzi@jpjornal.com.br
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