Alunos de escola pública homenagearam Leopoldina
Para celebrar o bicentenário da independência do Brasil, alunos do ensino fundamental dos 6° ao 9° ano da Escola Estadual Comendador Luciano Guidotti, no Jupiá, realizaram um trabalho de exposição de cartazes que abordam e reforçam a importância da participação da imperatriz consorte do país, Maria Leopoldina da Áustria, neste momento histórico. A ideia foi da professora de história, Telma Zanatto.
“O período em que Leopoldina exerceu o poder foi pequeno, mas fundamental para o Brasil. É uma pena que ela seja uma pessoa tão pouco lembrada no imaginário popular”, diz a professora.
Telma conta ao JP que a independência do Brasil em relação a Portugal foi firmada, em 1822, durante a regência de Leopoldina. “Ela se tornou a primeira mulher a governar o Brasil e ocupou o cargo interinamente por alguns dias, durante uma viagem do marido, Dom Pedro 1º, a São Paulo, em uma tentativa de apaziguar os ânimos dos brasileiros”, ela explica.
Na época, o governo brasileiro enfrentava grande instabilidade devido aos abusos que a coroa portuguesa infligia na então colônia, com altas nos impostos e envio de tropas ao Brasil, o que gerou insatisfação na população, em especial a classe comerciante e agrária. Leopoldina foi quem assinou a carta, em 02 de setembro de 1822, que decretou a Independência do Brasil, ao receber uma ordem expressa da Coroa Portuguesa que exigia o retorno imediato de Dom Pedro a Portugal.
Mas somente cinco dias depois, Dom Pedro 1º foi informado sobre a notícia, situação na qual ele deu o famoso grito às margens do rio Ipiranga. Essa segunda data é a que ficou conhecida como o Dia da Independência: 7 de setembro de 1822. O fato, inclusive, abre o Hino Nacional.
Para Telma, um dos pontos positivos de Leopoldina era que, diferentemente do marido, ela acreditava que ser princesa e imperatriz era uma função pública a serviço da nação e não somente um status social.
Durante a vida, Leopoldina procurou formas de acabar com o trabalho escravo. Em uma tentativa de mudar o tipo de mão de obra no Brasil, a imperatriz incentivou a imigração europeia para o País. Primeiro vieram os suíços, que ficaram no Rio de Janeiro e fundaram a cidade de Nova Friburgo. Depois, a fim de povoar o sul brasileiro, a imperatriz incentivou a vinda
dos alemães.
Leopoldina também contribuiu para a formação da cultura e da educação científica brasileira ao trazer seus livros e pesquisadores científicos em 1817, para analisar a fauna e flora brasileira. A própria imperatriz coletava minerais para ajudar a incentivar os estudos sobre a História Natural do Brasil.
Outro legado de Leopoldina é a bandeira nacional. Embora a história conhecida seja a de que o amarelo representa o ouro e o verde, as florestas brasileiras, as cores do maior símbolo nacional representam as duas Casas que deram origem ao Brasil independente: o verde representa a Casa de Bragança, de D. Pedro 1º, e o amarelo representa a Casa de Habsburgo, de Leopoldina.
A aluna Isabela Fernanda Boscolo, do 7° ano, gostou da iniciativa da professora Telma. “Eu não a conhecia, mas ela fez muita coisa no Brasil, abraçou o nosso povo. Falava 11 idiomas, fazia questão de saber como se comunicar”, disse ao JP.


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