Homens grávidos: eles existem e ganham espaços nas redes sociais

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Pauta LGBT passa a ter, neste ano de processo eleitoral, maior adesão à discussão, com 214 candidaturas

A pauta LGBT vem ganhando espaço no Brasil e as eleições 2022 devem marcar avanço de trans na política. Segundo dados da organização VoteLGBT, este ano, 214 candidaturas são de pessoas LGBT+, contra 157 registradas em 2018.

Nas redes sociais, nunca se discutiu tanto questões de gênero e é cada vez mais comum o ganho de notoriedade de pessoas que decidiram contar como enfrentaram processos de transição, cirurgias e, até mesmo, gravidezes de homens trans.

Este é o caso do influenciador digital Cleyton Bitencourt, 27 anos, morador de Guaratiba. Com quase 180 mil seguidores no Instagram e mais de 1 milhão no TikTok, ele conta todos os dias aos seus seguidores as experiências de ser pai e mais: de gestar uma criança em um Brasil conservador e que lidera rankings mundiais de mortes violentas relacionadas à homofobia
e transfobia.

Cleyton e Fabiana dos Santos Ferreira são pais biológicos da pequena Álex, de 1 ano e 4 meses. Cleyton é um homem trans e Fabiana, uma mulher trans. Ao se conhecerem e começarem a namorar, planejaram a gravidez mesmo sabendo de todos os obstáculos e preconceitos que enfrentariam. Cleyton gestou e amamentou a filha e, agora, quer ajudar outros pais.

“Meu processo foi longo até que eu me conhecesse de fato. Foram várias fases da minha vida em que tive que entender quem eu sou e o que me faz bem. No processo de transição (de gênero), o que mais pesou para mim foi ter que lidar com rejeições e preconceitos de pessoas que eu amava e de quem eu pensei que estaria comigo, lado a lado, nesta jornada, mas não foi bem assim. Isso pesou muito. Mas eu segui em frente”, contou ao JP.

Quando ele e a esposa decidiram ter uma filha, o influenciador percebeu que não havia tantos conteúdos na internet sobre homens trans grávidos. Por isso, passou a contar sobre seu dia a dia e a tirar dúvidas do público. A família transafetiva contou com acompanhamento de doulas, com o pré-natal do SUS e também com ajuda psicológica para enfrentar todo tipo de resistência que pudesse acontecer.

“A gestação foi uma experiência incrível na minha vida, pois sempre sonhei em ter um bebê, mesmo antes da minha transição de gênero. Sou um homem realizado por ter coragem de assumir como eu realmente sou e construir a minha família sem me importar com as críticas”, diz o pai.

Nani Camargo
Especial para o JP

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