Artistas se unem para tocar em defesa da Empem neste sábado

Por Laís Seguin |
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Encontro acontece em frente ao prédio da instituição na rua Santa Cruz, 1155

Hoje (27), às 16h, acontece um encontro aberto a toda a população defronte ao prédio da Empem (Escola de Música “Maestro Ernst Mahle”), situado na rua Santa Cruz, 1155. Organizado pelo movimento “Salvem a Empem”, a ação visa acumular forças para se evitar o fechamento do espaço que se encontra ameaçado de venda no processo de recuperação judicial da Rede Metodista de todo o país. Artistas de várias formações estarão juntos, sem ensaio prévio, executando obras que permitam a participação do público presente.

Com a confirmação não apenas de ex-alunos, ex-professores e músicos em atividade em várias orquestras e conjuntos espalhados pelo país, os integrantes da “Salvem a Empem” ressalta que o evento se desenha como uma oportunidade de dar maior visibilidade ao movimento de indignação e protesto que se multiplica desde que a notícia de possiblidade de venda do prédio se tornou pública, divulgada pelo Jornal de Piracicaba no último sábado (20).

Além disso, também foi criado um abaixo assinado virtual, lançado na última terça-feira (30), que já ultrapassa mais de 5 mil adesões no link: https://bityli.com/MskZRg.

A ESCOLA DE MÚSICA
Criada em 1953, desde seu surgimento a Escola de Música de Piracicaba se tornou centro formador na área musical, tendo como seu primeiro incentivador o compositor Hans Joachim Koellreutter, que fundara em São Paulo a escola Pró-Arte. A iniciativa de ter também no interior, especificamente em Piracicaba, uma alternativa de ensino da música se viabilizou pela decisão e esforços de Maria Apparecida e Ernst Mahle, que haviam sido alunos de Koellreuttter. Ao casal, se aliaram muitas outras figuras já ligadas a um movimento cultural forte existente em Piracicaba à metade do século passado.

Ao longo dos anos formaram-se outras orquestras, coros, conjuntos musicais que passaram a oferecer concertos periódicos nas instalações da Escola, conhecida também pela variedade e riqueza de instrumentos que foi acumulando ao longo dos anos, alguns deles raramente disponíveis no interior.

O espaço foi se tornando referência para o país, sediando concursos nacionais como o de jovens instrumentistas, com bancas julgadoras que reuniam músicos do Brasil e do exterior. Os concertos aos finais de semana faziam uma agenda contínua de cultura para a cidade, trazendo inclusive músicos estrangeiros para ali se apresentar.

Ao longo dos anos, muitos talentos de origem da cidade foram beneficiados por bolsas de estudos. Centenas de alunos foram ali formados profissionalmente, espalhando-se depois em orquestras de reconhecida importância para o país e no exterior.

Em 1998, o casal Mahle, buscando garantir a continuidade de seu trabalho, e considerando os compromissos que a Unimep detinha à época com projetos culturais e investimentos efetivos nesta área, transferiu a Escola de Música para o Instituto Educacional Piracicabano, mantenedor da Universidade. “A possibilidade de venda do prédio atual, apresentado à Justiça como alternativa para pagamento de dívidas tributárias da rede de escolas metodistas, foi o ponto de partida para um protesto amplo em defesa da história e do compromisso com a música em Piracicaba e no Brasil”, reforça o “Salvem a Empem”.

Fernanda Rizzi
fernanda.rizzi@jpjornal.com.br

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