Redução: diesel, 2%; gasolina, 19,5% e etanol, 20,4%

Por Laís Seguin |
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Economista fez levantamento a pedido do JP com base em dados fornecidos pela ANP até 30 de julho

Os preços dos combustíveis disparam neste ano, tornando-se, para o brasileiro, um dos maiores pesos nas contas gerais do mês. Somente após medidas de desoneração de impostos adotadas semanas atrás pelo governo federal e pelos estados é que o valor da gasolina e do etanol começou a cair.

Mas por que litro o diesel não cai? “Todas as medidas que estão valendo, como a redução do Pis e Cofins, não atingem o diesel, que já estava com esses impostos zerados. E no ICMS, o caso dos 18% de desoneração, afetou só a gasolina, pois o álcool e o diesel já têm uma alíquota menor”, diz Emílio Roberto Chierighini Martin, presidente do Recap (Sindicato dos Postos de Combustíveis de Campinas e Região). Além disso, no caso do diesel, Martin também cita o mercado internacional do petróleo, que dita as regras do jogo.

O JP consultou o economista Ricardo Buso. “Na verdade, o diesel também baixou, mas em proporção irrisória. Desde que atingiu seu patamar máximo, de R$ 7,42 por litro, na média de preços na cidade de Piracicaba (na semana de 19 de junho), recuou apenas 2% até 30 de julho, terminando ao preço médio de R$ 7,27 por litro”, explica. Ele aponta a guerra entre Rússia e Ucrânia como um dos fatores. “A Rússia é o grande supridor de gás natural para a Europa, vital para o aquecimento no inverno. Por conta da guerra na Ucrânia, sob receios de dificuldades de distribuição do produto, os europeus começaram a estocar diesel, como substituto natural do gás, o que pressionou a oferta e os preços, por consequência.

Como todos já sabem, no Brasil, a Petrobras pratica a Paridade de Preços de Importação, que reflete as cotações externas. Apesar de todos os problemas acarretados para inflação num país de matriz logística essencialmente rodoviária, o risco do governo mexer na política de preços para o diesel é o de distorcer o mercado diante da escassez do produto, que pode gerar desabastecimento interno, justamente no momento de maior necessidade, que é garantir o escoamento das principais safras agrícolas em curso”, explica Buso.

O economista também fez um levantamento, com base em dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), sobre as baixas sofridas nos preços do etanol e da gasolina. “De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo), que monitora a variação nos combustíveis, há momentos diferentes para apurar o nível de queda de preços de cada combustível na cidade. Em Piracicaba, o levantamento semanal varia entre 18 e 20 postos para gasolina e etanol, e entre 7 e 10 postos para diesel. Depois de atingir o pico do preço médio de R$ 6,92, na semana de 19 a 25 de junho, o litro da gasolina comum encerrou o mês de julho ao preço médio de R$ 5,57 no município, perfazendo uma redução de 19,5%. No mês de julho, exclusivamente, a redução foi de 17,6%, já que partiu de R$ 6,76 por litro”, aponta o economista.

Sobre o etanol, a trajetória foi de queda constante desde o início da série disponibilizada, em 22 de maio, quando apresentava preço médio de R$ 4,91 por litro em Piracicaba. “No momento em que o preço da gasolina começou a ceder no município, o etanol já apresentava queda 6,9%, a R$ 4,57 o litro. Até 30 de julho o biocombustível estendeu a redução para 20,4%, finalizando o período em R$ 1,00 mais barato, a R$ 3,91 por litro. De 01 a 30 de julho a queda foi de 11,9%, já que partiu de R$ 4,44”.

Buso e o presidente do Recap apontaram a surpresa com o fato de o diesel estar mais caro quer a gasolina. “Isso nunca aconteceu”, disse Martin. “O óleo diesel, que a partir de 19 de junho ficou mais caro que a gasolina na cidade pela primeira vez na história, apresentou movimentos distintos. Demonstrou praticamente estabilidade entre 22 de maio e 18 de junho, e em seguida saltou 11,2%, a R$ 7,42 na semana seguinte. Em julho apresentou ligeira queda de 2%, valendo R$ 7,27 por litro, na média”, declara Buso.

O preço do diesel vendido pela Petrobras às refinarias ficou mais barato desde sexta-feira (5). O valor médio do litro passou de R$ 5,61 para R$ 5,41 por litro, uma redução de R$ 0,20 por litro, ou 3,57%. O motorista, no entanto, só vai sentir ou aumento nas bombas a partir desta semana.

Nani Camargo
Especial para o JP

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