Há 40 anos, era inaugurado o primeiro Varejão Municipal de Piracicaba

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 4 min

Piracicaba atualmente tem 21 Varejões que acontecem semanalmente

Há 40 anos, era inaugurado o primeiro Varejão Municipal de Piracicaba. A iniciativa, que sempre foi a de ajudar no escoamento da produção local e ofertar alimentos de qualidade e com economia à população, é coordenada pela Prefeitura de Piracicaba, por meio da Sema (Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento).

O Varejão Municipal do Centro, o primeiro a ser inaugurado, começou onde hoje é o Terminal Central de Integração (TCI), em espaço da Estação Sorocabana. Com o passar dos anos, a Prefeitura percebeu a necessidade de melhorar a infraestrutura desses espaços para atender melhor os permissionários e o público.

Assim, em agosto de 1990, o Varejão Municipal do Centro começou a funcionar em espaço próprio, onde está até hoje, em galpão na rua Santa Cruz, 1.260. A construção desses galpões, pela equipe da Sema, foi ampliada e hoje já são 21 pontos espalhados pela cidade, a fim de atender também a todas as regiões de Piracicaba. 

Dona Lourdes Aparecida de Fátima Lásaro foi uma das primeiras permissionárias cadastradas pela Sema para comercializar nos varejões, em outubro de 1982. Por incentivo de seu pai, voltou para o sítio da família, no bairro Campestre, e começou a se dedicar à agricultura, até se tornar sua principal fonte de renda. Hoje, ela é produtora orgânica certificada e continua comercializando nos varejões, atividade que a própria diz ser prazerosa e gratificante.

“Sabe quando a gente gosta? É gostoso, principalmente pelas amizades que a gente faz”, conta Lourdes, que, desde o início levou seus filhos para acompanhá-la nas vendas e até hoje continuam trabalhando juntos, como a filha Thaís Lásaro, que “cresceu no varejão”.

“O varejão fez parte da minha história. Hoje, eu e minha mãe nos complementamos: eu trabalho mais na parte da plantação e ela na parte das vendas”, relata Thaís. “Eu aprendi que no varejão você começa a saber de onde vem o seu produto. Você conhece a origem dele, a história da pessoa que está por trás da banca. Não é só ir lá e pagar, mas você conhece a história da sua alimentação”, ressalta.

História semelhante acontece com o agricultor familiar e presidente da Coopihort (Cooperativa Piracicabana de Horticultores), Vanderlei Sanches, que tem sua plantação no bairro Kobayat Líbano. Ele conta que começou a ajudar seus pais no varejão ainda jovem, em 1983. Hoje, tem a ajuda da mulher e dos dois filhos para continuar o trabalho na roça e levar os produtos frescos aos seus consumidores fiéis do varejão.

“Eu tenho clientes, por incrível que pareça, que são desde quando eu comecei no varejão. O atendimento é nosso grande diferencial: eles não são simples compradores, mas são nossos amigos", diz Sanches.

Segundo ele, o trabalho, apesar de cansativo, vale a pena por estar do lado da família e conviver em um ambiente de trabalho acolhedor. “No varejão um depende do outro: o tomateiro, o bananeiro, o verdureiro, o pasteleiro, todos se complementam, formando um ponto de abastecimento muito forte e muito bom", explica.

PREÇO BOM E AMIZADES - Nesses 40 anos de história, o que não falta são consumidores assíduos e entusiastas da compra de produtos locais, com qualidade e preço justo, como o comerciante aposentado Carlos Rodrigues Rocha, de 75 anos, que desde que se mudou de Campinas para Piracicaba, há 17 anos, frequenta o varejão semanalmente para fazer suas compras.

“Praticamente virou uma rotina pra mim. Às vezes o sábado fica diferente quando eu não posso vir ao varejão e ver o pessoal, trocar uma ideia. Prefiro comprar aqui não só pelos preços e variedades dos produtos, mas pelo diálogo, pelo fato que você acaba sendo amigo de todo mundo e isso faz bem pra gente”, conta Carlos, que já muito conhecido entre os permissionários.

VARIEDADE - A consolidação dos Varejões Municipais como uma política pública efetiva de abastecimento alimentar na cidade comercializa cerca de 800 toneladas de alimentos por mês.

Nos varejões o consumidor tem à disposição bancas de legumes, frutas nacionais e importadas, verduras, cereais e tubérculos, frios e laticínios, pescados, aves e ovos, milho verde e derivados, como a famosa pamonha, utilidades domésticas e plantas, produtos artesanais como pães, bolos e doces, além da tradicional praça de alimentação com pastel, caldo de cana e açaí.

De acordo com a Sema, há aproximadamente 160 permissionários cadastrados, entre produtores rurais e comerciantes de produtos oriundos do município e de outras regiões. Além deste número, trabalham nos varejões auxiliares e fornecedores, o que gera aproximadamente 1.000 empregos diretos e indiretos. 

Para Nancy Thame, secretária da Sema, “40 anos de história confirmam a consolidação desta iniciativa inovadora que visa levar produtos de qualidade e preço justo à população e dar forças ao trabalho dos agricultores locais”, ressalta.

Da Redação

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