Geração de novos postos de trabalho e o FGTS podem ter contribuído à alta
A geração de novos postos de trabalho e os recursos injetados na economia com a liberação de parcelas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) nos últimos meses contribuíram para que o Índice Nacional de Consumo dos Lares Brasileiros da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) tenha acumulado alta de 2,50% de janeiro a abril. Em abril, o indicador registrou alta de 4,20% ante março. Na comparação com o mesmo mês de 2021, o índice teve alta de 7,37%, conforme aponta o monitoramento do departamento de Economia e Pesquisa da Abras. Todos os indicadores já foram deflacionados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), medido IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mesmo assim, consumidores ainda encontram dificuldades para manter as despesas mensais e admitem apertar o cinto para suprir as necessidades básicas.
A professora aposentada Geralda Bine aponta a carne vermelhas como uma das vilãs dos preços altos. Ela contou que a saída é substituir pelo frango. “Nos últimos meses aumentou muito o preço de carne, bebida, a gente tem se virado”, afirmou.
A dona de casa Rosália Barrete disse que não tinha o hábito de comprar todos os itens de uma única vez, porém, com os aumentos constantes, foi necessário mudar essa prática e buscar preços mais baixos, substituir produtos e fazer uma compra por mês.
“Minha filha faz a compra do mês e a cada mês tem aumentado, mês passado ela gastou R$ 500 e neste mês foram R$ 700”. Segundo a dona de casa, além da carne, o arroz e o óleo de soja são produtos que têm aumentado a cada mês.
CESTA BÁSICA
Com a inflação em alta, fatores como o repasse dos custos de produção nas cadeias produtivas decorrentes do aumento de preço das commodities e o aumento do frete, puxado pelo preço do óleo diesel, seguem impactando os preços da cesta de alimentos.
O Abrasmercado – cesta composta por 35 produtos de largo consumo como alimentos, bebidas, carnes, produtos de limpeza, itens de higiene e beleza – registrou alta de 3,04% em abril e a média de preços da cesta nacional passou de R$ 736,34 em março para R$ 758,72 em abril. No quadrimestre, a alta é de 8,31% e no acumulado de 12 meses atinge 17,87%.
Itens básicos da cesta de alimentos acumulam expressiva alta no quadrimestre, como óleo de soja (+20,38%), leite longa vida (+22,35%), feijão (+19,71%), farinha de trigo (+15,45%) e café torrado e moído (+13,22%). Dentre as proteínas, os cortes traseiro e dianteiro acumulam alta de 5,72% e 4,95%, respectivamente, no quadrimestre.
Produtos substitutos aos cortes bovinos, como frango e pernil registram recuo no período, com -0,27% e -5,59%, nesta ordem. No entanto, ovos apresentam alta de 11,32%.
Na categoria de higiene e beleza, os produtos com maior variação nos preços foram: sabonete (+10,19%), creme dental (+4,51%), xampu (+4,43%) e papel higiênico (+4,14%). Na categoria limpeza as maiores variações foram o sabão em pó (+8,09%), detergente líquido para roupas (+4,21%), desinfetante (+3,19%), água sanitária (+2,66%).
Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br
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