Leroy Merlin investe em lojas de bairro

Por Antonio Carlos Giuliani |
| Tempo de leitura: 3 min

Os tradicionais mercadinhos de bairro ganharam mais importância na vida dos brasileiros e maior espaço na economia nos últimos anos. Segundo um levantamento feito pelo Sebrae, o número de novos empreendimentos no comércio varejista em bairros cresceu 12% entre 2020 e 2021, com predominância daqueles que vendem produtos alimentícios, como minimercados, mercearias e armazéns.

Há três fatores que levam os consumidores a procurar esse tipo de estabelecimento: localização e facilidade de chegar a ele, já que normalmente está nas proximidades de suas residências; compras de itens pontuais; agilidade. Esses mercados possuem uma grande vantagem estratégica, que é a capacidade de oferecer um mix de produtos altamente especializado com a conveniência esperada.

As empresas que optam por se instalar em bairros devem ter como diferencial competitivo a comodidade, o qual precisa estar aliado a outro fator muito importante no processo de compra: a afetividade. Os hipermercados foram os primeiros a adotar a abertura de lojas menores em bairros. Essa modalidade de varejo chegou às grandes empresas do varejo de materiais de construção, que só tinham home centers e agora operam com novos formatos de loja. Assim, estão passando por um processo parecido com o visto no varejo de alimentos há alguns anos.

Com lojas gigantes de materiais de construção localizadas nas marginais, nas rodovias e nas vias expressas, a Leroy Merlin quer entrar no miolo dos bairros com pontos de venda bem menores que possibilitem compras rápidas. Para essa estratégia de expansão, investirá R$ 1 bilhão, com meta de abrir 150 lojas de bairro até 2024, e, a fim de definir a localização delas, optou pela segmentação por regiões. As lojas serão construídas nas capitais dos estados, onde já funcionam as megalojas da companhia, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Esse formato de loja de bairro foi adotado, em 2019, pela principal concorrente, a Telhanorte, que atualmente tem oito pontos de venda.

Na Leroy Merlin, o novo modelo começou a ser testado no fim de 2020 na capital paulista, com a abertura da unidade no bairro do Campo Belo, zona sul da cidade. Com mais de um ano de operação, o resultado surpreendeu, afirma o diretor de Desenvolvimento, Expansão e Relações Institucionais da empresa, Renato Coltro. Nesse novo formato, o tamanho do ponto varia entre 600 e 1 mil metros quadrados, no qual são vendidos cerca de 6 mil itens. É muito menor do que uma megaloja no modelo home center, que tem entre 7 mil e 18 mil metros quadrados de área de vendas, com oferta de até 70 mil produtos.

O foco dessa modalidade de loja é captar o cliente que precisa fazer uma compra rápida para o reparo e não tem tempo para ir até os home centers e nem quer esperar a entrega do on-line. Outro ponto positivo da estratégia é integrar a venda on-line à venda da loja física, denominada prateleira infinita, ou seja, os produtos que não estão disponíveis para venda imediata são pedidos para o home center pelo vendedor para serem entregues ao cliente. A lógica da estratégia da Leroy Merlin é o crescimento de seus negócios com formatos de loja que não estejam esgotados. O mercado-alvo dessa modalidade de loja são os compradores que adquirem produtos por conveniência. Já os tradicionais depósitos de bairros de materiais de construção se concentram em compradores que procuram materiais básicos. Mesmo com um público-alvo diferente, cabe a seguinte reflexão: a chegada de pontos de venda menores com bandeiras de grandes redes poderá intimidar os depósitos de bairros? De certo modo, sim, mas isso não deverá ser motivo para desânimo e falta de perspectiva.

Uma alternativa para esses depósitos se posicionarem diante da entrada de marcas conhecidas é focar a qualidade do atendimento, oferecer serviços que as empresas de grande porte, em razão da estrutura, nem sempre conseguem fazê-lo, procurar agregar atributos que os consumidores valorizam, como a vantagem de fazer negócio com as lojas tradicionais de seus bairros.

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