Com inúmeros contos do povo negro ignorados, o historiador Noedi Monteiro visitou a Escola Estadual Sud Mennucci, na tarde desta quinta-feira (26), para realizar um bate-papo sobre a consciência de jovens do Ensino Médio sobre a importância e o papel fundamental dos negros para construção da população piracicabana. A atividade também foi uma homenagem ao Dia da Comunidade Negra de Piracicaba, agora celebrado anualmente em 21 de abril.
Pesquisador da historicidade afro, Noedi Monteiro trabalhou com a temática para alertar aos alunos sobre a possibilidade do racismo e da injuria racial e, trouxe pontos importantes da história como figuras que não puderam assumir seus cargos ou que foram mortos de forma injusta. “Isso é uma prática de racismo institucional porque não se faria com um branco ou outra pessoa com posição na sociedade. Isso mostra o quanto a cor marca e determina o espaço”, comentou.
Monteiro também afirmou sobre a população negra atingir a maioria no Brasil, em um total de 56%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). “Isso é uma baita de uma explosão. Faz com que o sistema se amedronte na expectativa que possamos ocupar o seu espaço e estejamos paralelos a eles”.
O objetivo da visita, segundo o historiador, foi mostrar que os estudos abrem porta para todos, independentemente da cor. “Basta estudar e ter um espaço. Isso pode surpreender porque a nossa luta negra vem da superação e, quando nós superamos, nós nos surpreendemos porque não somos esperados e desejados. Por isso, é comum nas revistas e reportagens o título: “o primeiro negro”, relata.
Noedi Monteiro fez a sugestão ao Projeto de Lei de autoria da vereadora Rai de Almeida (PT), que instituiu o Dia da Comunidade Negra de Piracicaba. “Nada melhor e mais justo do que celebrar a nossa presença. Quis despertar a consciência do piracicabano sobre os povos originários e dos negros na cidade”, disse.
Fernanda Rizzi
fernanda.rizzi@jpjornal.com.br
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