Professora-pesquisadora estuda formas de mitigar prejuízos do principal gás do efeito estufa

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 4 min

Docente do Cena/USP, Marisa Piccolo, tem no currículo projeto de pós-doutorado financiado pela Nasa

Marisa de Cássia Piccolo é referência na pesquisa para a redução de fertilizante nitrogenado mineral a fim de amenizar a poluição ambiental de uma forma geral. Especialista em ciclagem do carbono e nitrogênio em ecossistemas naturais e agroecossistemas nos diferentes biomas brasileiros, ela atua como professora e pesquisadora desde 1989 no Cena/USP (Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo). Marisa Piccolo tem no currículo projeto de pós-doutorado financiado pela Nasa (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço, agência do governo dos Estados Unidos) quando investigou sobre pastagens em Rondônia. Ela foi destacada entre os 100 melhores cientistas da América Latina nas áreas de Floresta e Agricultura.

Doutora em Ciências pelo Cena e atualmente Professora Associada e Bolsista de Produtividade Científica do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Marisa trabalhou por anos na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) nas disciplinas sobre Biosfera e Mudanças Globais e Poluição dos Ecossistemas Terrestres, Aquáticos e Atmosféricos.

Sobre o ranque, a cientista está na 10ª colocação para a categoria Agronomia e na 25ª para a área de Floresta. “Eu fui informada que fazia parte do ranking dos 100 principais pesquisadores da América Latina por docentes de outras instituições do Brasil e exterior que desenvolvem projetos em colaboração, e foi muito gratificante conhecer o reconhecimento do meu trabalho de pesquisa e, também, minha posição no ranking. Sempre me dediquei muito às pesquisas e tive a grande oportunidade de participar do desenvolvimento de projetos e de muitas coletas de amostras (solo, plantas, gases do efeito estufa emitido do solo e água do solo) em diferentes biomas do Brasil (Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa) e de trabalhar com renomados pesquisadores do EUA e França. Estas experiências não tem como descrever e, com certeza, as levarei para o resto da vida.”

Como a maioria da comunidade científica, Marisa Piccolo lamenta a falta de investimentos no setor. “Com a redução de verbas pelo governo para as pesquisas e com as restrições devido à pandemia [de covid-19] ficou muito difícil de desenvolver os projetos, mas, mesmo assim, conseguimos realizar as atividades de campo-laboratório com êxito. Para isto foi fundamental o apoio das equipes de pesquisadores colaboradores (Ufra-Belém, Unesp-Jaboticabal e UFSC-Florianópolis). Mas, de maneira geral, muitos pesquisadores de várias instituições tiveram a produtividade científica severamente afetada nos últimos anos, assim como também a graduação e pós-graduação foram prejudicadas pelas atividades não presenciais devido à pandemia.”

AMAZÔNIA & PAMPAS
Marisa Piccolo iniciou a carreira científica estudando florestas na Amazônia ocupadas por pastagem e pela agricultura. Focada no ciclo do carbono e nitrogênio, dentro do sistema solo-planta, ela apurou as perdas destes elementos do solo para os mananciais e os fluxos dos principais gases do efeito estufa (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso) proveniente da respiração do solo para a atmosfera.

Os seus estudos continuaram em outros biomas do Brasil, incluindo os Pampas, Cerrado, Mata Atlântica e outros, sempre com o objetivo de avaliar o sequestro de carbono e nitrogênio no solo nos sistemas naturais após a mudança do uso da terra para sistemas agrícolas. A partir dos resultados obtidos foi possível a cientista elaborar medidas mitigatórias a fim de diminuir as perdas de carbono e nitrogênio (gasosa e solução do solo) do sistema, material apresentado à comunidade científica e ao agricultor.

“É importante ressaltar que, com o crescimento da população no mundo e a necessidade por maior demanda de alimentos, cada vez mais são utilizados os fertilizantes nitrogenados minerais para ganhar maior produtividade das culturas. Os manejos agrícolas visando a diminuição do uso de fertilizantes na forma mineral sendo substituído pelo aporte de nitrogênio via fixação biológica e por resíduos culturais que permanecem na superfície do solo após as colheitas (sistema plantio direto na palha e corte mecanizado da cana-de-açúcar) têm sido recomendados para os diferentes biomas do Brasil. O uso de nitrogênio orgânico tem o intuito de diminuir a poluição ambiental pela emissão de óxido nitroso (principal gás do efeito estufa e com maior potencial de aquecimento global) para a atmosfera, e as perdas de nitrogênio para a água subterrânea e mananciais proveniente do fertilizante nitrogenado mineral”, informa Marisa.

Ela conta que experimentos no campo e no laboratório têm sido desenvolvido para a avaliação de como as mudanças climáticas (aumento das concentrações de CO2 na atmosfera, aumento da temperatura, aumento da umidade do solo, déficit de água, entre outros) podem afetar a produtividade e o uso eficiente dos nutrientes pelas culturas agrícolas.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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