O desafio de conhecer sobre o reflorestamento e produção de águas

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Professor é pioneiro nos estudos da recuperação de áreas desmatadas

Sílvio Frosini de Barros Ferraz dedica sua carreira a pesquisas pioneiras para entender como se comportam as águas dos rios na longa extensão do Uruguai ao Brasil. Ele é professor da Esalq (Escola superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e está no Top 100 dos melhores cientistas da América Latina. Profissional do Departamento de Ciências Florestais, Ferraz tem um longa lista de publicações e lastima a atual banalização da ciência. A maior preocupação dele no campo da pesquisa é a de puxar o fio da meada sobre como o reflorestamento pode ajudar na produção de água, informações pouco conhecidas nos dias de hoje.

Anunciado recentemente, o ranque Latin America Top 100 Agriculture & Forestry Scientists 2022 tem como base o AD Scientific Index, um sistema de classificação e análise por desempenho científico e no valor agregado da produtividade desses profissionais.

“Primeiramente, é muito gratificante receber o reconhecimento pelo trabalho realizado. O ranking é um reconhecimento da comunidade científica, o que é importante para o pesquisador. No entanto, temos o desafio de obter o reconhecimento da sociedade, especialmente em um momento que a ciência tem sido banalizada. Nós temos este desafio de pesquisar e ao mesmo tempo comunicar corretamente a importância do que fazemos, seja de forma aplicada e imediata ou como investimento para o futuro. Esta é uma responsabilidade adicional ao pesquisador, que, no Brasil, ainda enfrenta outras dificuldades com falta de recursos e burocracia.”

É DE CASA
Sim, é de casa o exemplo da preocupação do professor e cientista referência na América Latina em relação às águas. “A população observa que o rio Piracicaba está cheio transbordando e, em poucos dias, seco com as rochas aparentes. Mesmo com a regulação artificial das barragens, nota-se que está desregulado, o que se intensifica com os eventos extremos que estamos vivendo. Neste caso, já conhecemos bastante sobre o papel das florestas e como o correto manejo do uso pode atenuar estes efeitos, mas, a comunicação da ciência não tem conseguido sensibilizar a sociedade para uma mudança na forma de ocupar a bacia hidrográfica.”

De olho também na Amazônia, o cientista estuda o desmatamento na região e impactos na conservação da água, vida aquática e povos da região. Por ora, ele tem o grande desafio de levantar se o reflorestamento proporciona os mesmos resultados ambientais frente à mata natural. “Neste caso, o investimento ainda é na pesquisa básica, mas que depois pode subsidiar o aperfeiçoamento das técnicas de plantio, o planejamento, a priorização de áreas para o objetivo de aumentar a disponibilidade hídrica em regiões como a nossa, que vem sofrendo efeitos da seca e das chuvas extremas.”

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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