‘É o maior reajuste já oferecido nos últimos 20 anos’, diz Luciano Almeida

Por Laís Seguin |
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Em entrevista ao JP, prefeito fala sobre a proposta da Administração ao Sindicato dos Servidores, que deflagrou greve

O Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Piracicaba e Região deflagrou greve dos servidores públicos na sexta, 1º de abril, após assembleia realizada com os trabalhadores da categoria, que não aceitaram a proposta da Administração Municipal, que ofereceu reajuste de 14,04% em duas parcelas, sendo 10,56% retroativo a março deste ano e mais 3,17% com pagamento em julho, além de 3,17% e a reposição inflacionária do período em julho de 2023 e 3,16%, mais a reposição inflacionária em março de 2024, que totalizaria 21,40%. A categoria pede 21% ainda neste ano, em duas vezes: 15% em março e 6% a partir de 1º de maio.

Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, o prefeito Luciano Almeida (União Brasil) explicou que o reajuste oferecido ao funcionalismo é o maior dos últimos 20 anos e que a proposta respeita o limite prudencial da capacidade do orçamento. O chefe do Executivo também falou sobre a criação de um Plano de Cargos e Salários, que vai valorizar a categoria.

Qual foi o aumento proposto pela Administração à categoria?

Antes de tudo é bom ressaltar que o tempo todo a prefeitura manteve diálogo aberto com o Sindicato dos Trabalhadores Municipais. Me reuni com os membros do Sindicato e fiz questão de apresentar as possibilidades dentro do que prevê o Orçamento do município. Nossa primeira proposta foi a reposição da inflação que ocorreu no último ano, 10,56%, e o restante nos próximos anos. Não foi aceita. Reavaliamos e fizemos uma nova proposta, de 21,40%. O primeiro repasse imediato, o segundo em setembro, o terceiro em setembro de 2023 e o quarto em março de 2024.

Essa segunda proposta também foi rejeitada pelo Sindicato e, mais uma vez, reafirmando o compromisso com o funcionalismo, apresentamos mais uma proposta que mantém o reajuste de 21,40% da seguinte maneira: 14,04% em duas parcelas: 01/março/2022: 10,56% e 01/julho/2022: 3,17%; Julho/2023 – Reposição da inflação mais 3,17%; Março/2024 - Reposição da inflação mais 3,16%. Isto significa que daríamos 21,40% de reajuste salarial contra uma inflação do período de 19,89%.

A categoria está sem reajuste desde 2019. Esse aumento cobre as perdas salariais?

Sim, o valor oferecido repõe as perdas que ocorreram em 2019, 2020 e 2021. É o maior reajuste já oferecido nos últimos 20 anos, e um dos maiores do estado de São Paulo.

Qual o valor da folha salarial dos servidores hoje e, com o reajuste, para quanto irá?

Em 2021, a folha salarial foi de R$ 777,8 milhões. A previsão é que, com o reajuste, já considerando as novas contratações que precisam ser feitas, pois hoje a Prefeitura tem uma defasagem de aproximadamente 1.130 servidores, será de R$ 898,1 milhões.

O senhor anunciou um Plano de Cargos e Salários. Como será colocado em prática?

Os salários dos profissionais da prefeitura em relação ao mercado estão defasados há muitos anos, a prática para cobrir essa defasagem era através de compensações, muitas vezes até irregulares. A nossa proposta é um estudo para que se verifique de fato quais as distorções salariais em relação ao mercado e como criar um Plano de Cargos e Salários que permita uma remuneração correta e que promova um plano de carreiras para os servidores públicos, o que nunca foi feito. O Plano de Cargos e Salários permitirá que o servidor não fique exclusivamente dependente da negociação com o sindicato que, muitas vezes, é pautado com viés político.

Quais os prejuízos que uma greve pode trazer à população e aos servidores?

A greve traz prejuízos a toda a população. Na sexta-feira, o atendimento no Térreo 2, que concentra serviços ao contribuinte, foi interrompido pela falta de funcionários devido à greve deflagrada pelo sindicato.

No caso da Educação, quatro escolas aderiram 100% à greve, também já na sexta-feira. As crianças ficaram sem aula presencial durante dois anos, por causa da pandemia. Elas já não foram prejudicadas?

Na Saúde, sete unidades de saúde não funcionaram, além de 10 farmácias.

Os servidores também podem ser prejudicados, já que sentença do STF determina que sejam descontados os dias da paralisação, caso a greve seja considerada ilegal e abusiva. Um funcionário com piso em torno de R$ 3.000, por exemplo, as perdas poderão chegar a mais de R$ 800, com desconto de dias parados, perda do descanso semanal remunerado, do prêmio assiduidade e da cesta básica.

Entendemos que todos os serviços públicos são essenciais, dessa forma, uma greve traz prejuízo a todos, sem exceção.
Esperamos que o bom senso recaia sobre o sindicato, revendo sua posição, para que possamos encerrar essa situação, que repito, traz prejuízos a todos. E que a gente possa voltar à normalidade oferecendo atendimento a toda população de Piracicaba.

Da Redação

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