Teatro do Absurdo estreia com uma obra de referência: ‘A Cantora Careca’

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Sob direção e adaptação de Carlos ABC, a peça é do francês Eugène Ionesco

O Teatro do Absurdo está em cartaz hoje (quinta-feira) com a peça ‘A Cantora Careca’, às 19h30, no Engenho Central. Levado dentro da comédia, a vertente do teatro utiliza diálogos sem sentido, gestos repetitivos e cenografia capaz de expor situações absurdas. Sob o comando do icônico Carlos ABC, ele apresenta no Teatro Erotides de Campos a peça escrita em 1949 pelo francês Eugène Ionesco (1909 - 1994). O texto é irônico, com diálogos absurdos que levam à total impossibilidade de comunicação entre os seis personagens. Em uma das cenas mais conhecidas, dois estranhos conversam sobre a vida, onde moram, filhos e, por fim, descobrem que são casados. O espetáculo tem o fomento da Lei Aldir Blanc e é produzido pela
Cia Metamorfose.

A Cantora Careca é considerada a primeira obra da corrente do Teatro do Absurdo. O espetáculo expõe, de forma divertida, uma crítica à sociedade onde impera a falta de individualidade, as ideias pré-concebidas que privam o indivíduo da liberdade intelectual. O autor, Ionesco, retrata a banalidade da vida para imediatamente a desconstruir por meio de discursos desarticulados, fragmentados, desprovidos das ‘leis’ da lógica e da racionalidade.

Na peça, as palavras adquirem novos significados e se unem para inventar novas imagens e novos ritmos. Tempo, espaço, ação deixam de existir. As identidades se confundem, a realidade aparente desmorona. Há um intenso jogo cômico povoado de sons, imagens, silêncios, como meio de exacerbar o sentido absurdistas da vida. Mas é, também, mera diversão, que procura a liberdade artística e individual.

Segundo o diretor do espetáculo em Piracicaba, Carlos ABC, fala das inovações adicionadas por ele ao texto clássico do teatro. “O autor [Eugène Ionesco] convida os participantes a jogarem com ele na construção da montagem, como se realmente caracterizasse a direção, algo como coautoria. No caso da nossa montagem, além de toda a discussão que o texto do Ionesco propõe, o público se deparará com atores afro-brasileiros, representando a pseudo aristocracia inglesa, onde a empregada aparece na figura de uma mulher loira, instigando reflexão sobre as condições e o papel destes indivíduos na sociedade universal”, revela o diretor e responsável pela adaptação do texto do dramaturgo francês.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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