Professor da Esalq fala sobre prós e contras da inteligência artificial em plena expansão

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 3 min

Novas tecnologias são aplicadas às guerras híbridas e no mapeamento do impacto da covid-19 na qualidade de vida

Com pouca informação na língua portuguesa e início tímido no fomento às pesquisas científicas por parte do governo federal, a Esalq/USP criou um grupo de estudos para pesquisar e utilizar a Inteligência Artificial (IA), Ciência de Dados e Robótica Aplicada. Liderada pelo professor do departamento de Economia, Administração e Sociologia, Antonio Ribeiro de Almeida Junior, e pelo professor de Ciências Exatas, Gabriel Sarriés, a avaliação é de que o uso dessas ferramentas só pode atingir o nível ideal para o usuário capacitado a críticas à tecnologia. Almeida compara a fase atual de evolução das IAs como na época da chegada da energia elétrica. Da guerra da Rússia, passando pela covid-19 e rotinas diárias, o professor explica como o desenvolvimento da tecnologia é exponencial e como tudo será, ou está sendo, influenciado nas nossas vidas – para ouvir a entrevista completa, acesse o podcast número 105 do canal Estação Esalq.

O professor relata que a pesquisa com IA não é recente, há estudos realizados na metade do século 19, quando há registros do crivo do termo inteligência artificial e da ideia da máquina de Turing. “Nos anos 2000, estamos vivendo uma espécie de terceira onda da inteligência artificial. É um momento bastante rápido em termos de desenvolvimento: temos muita coisa acontecendo com investimentos muitos grandes e que só vai aumentar China e Estados Unidos investem centenas de bilhões de dólares em pesquisa em uma tecnologia muito poderosa.”

O grupo na Esalq começou porque havia muita pouca crítica às questões relacionadas à IA em língua portuguesa. “Temos uma sociedade muito pró-tecnologia com fabricantes e criadores bombardeando com publicidade favoráveis e esquecemos que tudo tem dois lados. Pode ser uma benção, trazendo muitos benefícios e, por outro lado, causar problemas de acordo com o poder delas”, observa Ribeiro de Almeida destacando que todos que têm acesso a uma rede de computadores têm sua rotina influenciada hoje pela IA. “Somos constantemente monitorados.” Outro ponto sob alerta é a sociedade em conflitos com alimentação deste perfil pela tecnologia nos períodos eleitorais, por exemplo.

GUERRA HÍBRIDA
Sobre o conflito na Ucrânia deflagrado pela Rússia, o professor da Esalq aponta que as notícias sobre a guerra são tendenciosas, mesmo aquelas oriundas dos grandes conglomerados de mídia. “A informação chega distorcida por que, em grande parte, ela é transformada em armamento. No caso da Ucrânia, temos o uso de armas com inteligência artificial. O avião SU 57, o caça de combate mais moderno da Rússia, o copiloto não é mais um ser humano, mas um sistema de inteligência artificial. Houve um apelo na ONU para que as inteligências artificiais não fossem utilizadas em armas, mas isso já é uma realidade”.

COVID-19
O pesquisador Gustavo Furlan está com um estudo junto ao grupo do professor Almeida para investigar as condições de saúde após a pandemia de covid-19. A ideia é abrir um questionário à população em geral para obter um grande número de respostas que serão computadas e balizarão resultados e novas pesquisas. À sociedade, Furlan poderá oferecer uma ferramenta de sinalização sobre como vai a saúde de cada pessoa. Este estudo, ainda em fase inicial, utilizará, para o bem, o universo da tecnologia de inteligência artificial. “A proposta é analisar os dados brasileiros com os de outras nações e para isso estamos em vias de fechar uma parceria importante com uma universidade de renome internacional”.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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