Mandamentos e preceitos

Por André Sallum |
| Tempo de leitura: 3 min

As religiões e filosofias espiritualistas apresentam, como parte fundamental de seu corpo doutrinário, mandamentos e preceitos, os quais devem ser conhecidos, observados e seguidos pelos seus membros. Compõem-se de princípios morais revelados pelos mestres ou profetas, os quais os recebem de instâncias superiores, em nome de Deus.
Os chamados mandamentos, dos quais o exemplo mais conhecido no Ocidente foi a revelação de Moisés, são a expressão de leis cujo conhecimento visa aprimorar a conduta humana rumo a melhores condições de vida. Ignorá-las tem sido causa de incontáveis sofrimentos e flagelos ao longo da história. Por essa e outras razões, ciclicamente aparecem seres dotados de especial sensibilidade e sabedoria, capazes de receber e revelar determinadas leis (naturais, como todas as demais). São como sementes espirituais plantadas na mente e no coração dos que delas tomam conhecimento, até que floresçam e frutifiquem, aperfeiçoando o caráter, moldando a conduta e elevando o nível moral da humanidade.
Os mandamentos e preceitos espirituais não são arbitrários nem humanos, mas revelações que, segundo a necessidade de um povo ou de uma época, ofertam-se ao público a que se destinam. Claro que necessitam de uma mente que os receba, compreenda e, com maior ou menor fidelidade, os transmita aos demais.
Em relação ao Cristianismo, Moisés apresentou os Dez Mandamentos, os quais foram complementados por Jesus, muitos séculos depois. O Mestre corrigiu preceitos antigos que eram seguidos pelo povo, apresentando novos e mais elevados princípios. Jesus disse: “Ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam” (Mateus 5:43,44). Essa atitude educativa de Jesus demonstra que os mandamentos e preceitos seguidos até então tinham validade relativa, circunscrita a determinada época e estado de consciência. Jesus trouxe novas perspectivas ao ser humano, ampliando a compreensão e sobretudo a vivência do amor, tanto que afirmou: “um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros…” (João 13:34)
O fato de os mandamentos das mais diferentes religiões terem caráter proibitivo revela o quanto somos potencialmente transgressores, ainda longe de praticarmos espontaneamente o bem, de compreendermos leis elementares que regem o destino, tanto que a história da humanidade tem sido, ao longo dos milênios, independentemente da religião predominante, interminável sucessão de crimes, guerras e conflitos de toda ordem.
Graças à evolução humana têm sido apresentadas novas interpretações dos mandamentos religiosos, atendendo à lógica, coerência e bom senso que os tempos atuais requerem, não mais se restringindo às antigas tradições, cheias de mistérios, obediência e submissão cegas, nem a crenças que, para o ser humano do terceiro milênio, se tornaram descabidas.
Um mandamento, princípio ou preceito religioso só faz sentido se aceito e incorporado à vida diária, o que somente ocorre se for primeiramente compreendido. Daí a imperiosa necessidade de uma educação integral, a fim de que a obediência seja espontânea, fruto de uma consciência desperta. Nesse sentido, parece razoável que os mandamentos não sejam mais concebidos como ameaças assustadoras, meras formalidades religiosas ou preceitos anacrônicos e ineficazes, mas sim como avisos salutares e roteiros úteis à nossa jornada existencial.

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