Preços de alimentos subiram mais que a inflação

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 3 min

Entidade que representa os supermercados fala em redução de impostos cobrados na cesta básica

A ida aos supermercados encolheu praticamente 10 pontos percentuais em janeiro deste ano no comparativo com o mesmo mês de 2021. Enquanto no primeiro mês do ano passado o consumo dos lares brasileiros cresceu a 12%, agora, o movimento chegou a apenas 2,3% de alta. Outra sinalização da retração no consumo para janeiro de 2022 foi o comparativo com dezembro de 2021, chegando a um recuo de 21,22%. Os dados são do levantamento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados). Os valores acompanhados pela entidade para uma cesta de alimentos com 35 itens de grande procura nas redes varejistas subiram em 2021 mais do que o índice da inflação (10,38%), com alta acumulada de 11,5%.

O monitoramento da Abras contempla todos os formatos de varejo alimentar operados pelo setor supermercadista, como lojas de vizinhança, minimercado, supermercado, hipermercado, atacarejo, superproximidade e e-commerce. “Observamos um movimento natural de flutuação de consumo em janeiro, como tradicionalmente ocorre nos primeiros meses do ano, por conta das férias e do mês antecessor ser comemorativo e virtude do Natal e das festas de final de ano”, explica o vice-presidente da Abras, Marcio Milan. “Outros fatores, como a manutenção do Auxílio Brasil e a queda na taxa de desemprego contribuíram para manter positivo o consumo nos lares”.

TENDÊNCIAS
Entre as tendências dos preços dos alimentos, vale o destaque para o aumento dos custos de produção, decorrentes do aumento dos insumos no mercado interno e externo, somados a outros fatores, como preço dos combustíveis e energia. Tal cenário de alta tende a ser repassado ao consumidor. Devem ficar mais caros os cereais e seus derivados, como farinha, pães, massas e biscoitos, assim como o aumento dos preços dos grãos (soja e milho) com impacto direto na composição da ração animal de frango, suínos e ovos, assim como no óleo e outros derivados.

Frente a este cenário, a associação pede redução de impostos. “O setor supermercadista aguarda com otimismo a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) nas categorias de higiene e limpeza, pois, no curto prazo eles impactam na redução dos preços, contribuindo com a redução da inflação. Diante do contexto macroeconômico de alta de preços dos fertilizantes, dos combustíveis, da energia elétrica e das commodities e, atenta ao comportamento do consumidor, a Abras acredita que seria muito importante neste momento uma redução de impostos da cesta básica”, destaca o levantamento de janeiro.

PREÇOS
Entre dezembro e janeiro agora, os produtos que mais encareceram foram cebola (12,43%), batata (9,65%), tomate (6,21%), café torrado e moído (4,75%) e farinha de mandioca (3,65%). As maiores quedas verificadas aconteceram para o queijo prato (5,96%), arroz (2,66%), pernil (1,94%), sal (1,49%) e ovo (1,03%).

Na análise por região para o comportamento do preço das cestas, o Sudeste do País teve a maior variação, uma alta de 2,02%, passando de R$ 675,44 em dezembro de 2021 para R$ 689,11 em janeiro. Em seguida está a região Norte, registrando a segunda maior variação no preço da cesta. Com alta de 1,85%, o Norte passa a ter a cesta mais cara do país, passando de R$ 769,16 em dezembro para R$ 783,41 em janeiro. Na sequência das altas, a região Centro-Oeste apresenta 1,44%, Sul (0,72%)
e Nordeste (0,44%).

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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