Após drama, piracicabano assina com Desportivo Brasil; objetivo é atuar por equipe do Brasileirão

Por Laís Seguin |
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Jogador que fugiu da guerra acerta por três meses com time de Porto Feliz; clube participa da Série A3

O meia piracicabano Victor Adame, 20, está em casa nova. Após o drama vivido na Ucrânia, agora ele está bem mais perto de seus familiares, pois assinou no início da semana passada com o Desportivo Brasil, de Porto Feliz, cidade que fica a apenas 76 quilômetros da Noiva da Colina. O vínculo com o Desportivo Brasil é de apenas três meses – até o término do Paulista da Série A3.

Depois, disso ele estará livre novamente para fechar com outra equipe ou então permanecer no time de Porto Feliz, que é conhecido por ser um clube empresa e uma grande vitrine para jogadores novatos. Entre as suas metas está a busca por uma oportunidade em uma equipe que esteja no Campeonato Brasileiro no segundo semestre. Ou ainda voltar a atuar em algum time do exterior.

O Desportivo Brasil não faz boa campanha na A3. Com mais três jogos a fazer na primeira fase, a equipe é apenas a 13ª colocada, com 11 pontos, entre 16 times – à frente somente Nacional (5), Olímpia (7) e Sertãozinho (11). A “terceirona” é uma competição semelhante à Série A2, ou seja, ao final da primeira fase (15 jogos), os dois últimos colocados são rebaixados, nesse caso à Segunda Divisão (ou 4ª divisão).

“Corremos risco sim. Mas conseguimos dar um passo importante para fugir da zona”, disse Adame, após o empate do último sábado, 12, diante do Rio Preto, por 2 a 2, fora de casa. Agora, o time mais três duelos: dia 16, contra a Votuporanguense, fora de casa; dia 19, contra o Nacional, em Porto Feliz; e dia 26, no ABC, contra o São Bernardo.

Ele assinou contrato com o Desportivo Brasil por três meses, que é o tempo mínimo que a legislação brasileira permite. No entanto, o meia explicou que há a “possibilidade de encerrar o vínculo (antes) se tiver uma proposta de times que vão disputar o Brasileiro”. Essa possibilidade, aliás, é uma de suas metas no momento, a fim de dar seguimento à carreira em um campeonato mais forte e competitivo.

Sobre a possibilidade de voltar a atuar no exterior, em especial no Leste Europeu, onde teve de fugir da guerra na Ucrânia, ele foi enfático: “No momento, não penso nisso, mas caso surgisse a oportunidade acredito que voltaria sim”, diz o atleta, que foi revelado pelo XV de Piracicaba.

ENTENDA O CASO
O meia desembarcou na pequena cidade de Volchansk no início do mês de fevereiro, para jogar no time do mesmo nome. Ainda estava conhecendo seus companheiros, quando a Rússia invadiu o país e a guerra explodiu.

Para se proteger dos mísseis e bombas, Adame - com mais quatro jogadores brasileiros, entre eles o também piracicabano Gabriel Patreze, 22 - fugiu para a fronteira com a Eslováquia. Eles ficaram cerca de uma semana por lá, quando conseguiram voo de volta para o Brasil, onde desembarcaram no último dia 4.

Erivan Monteiro
erivan.monteiro@jpjornal.com.br

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