Pandemia trouxe repercussões de ordem biomédica e sociais

Por Laís Seguin |
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A vontade de cuidar sempre foi uma constante na vida de Carlos Joussef. Desde a infância, na casa onde cresceu em Rio das Pedras, ele, junto dos irmãos, adorava resgatar animais e cuidar de seus ferimentos, inspirado na postura humanista do médico da família por quem nutria admiração ao notar sua abnegação diante da profissão. “Aos cinco anos de idade quando disse à minha mãe que gostaria de ser médico”, revelou. De lá para cá já são 39 anos de carreira na área da saúde. Graduado em medicina pela USP (Universidade de São Paulo), de Ribeirão Preto, e residência em ginecologia e obstetrícia na mesma instituição de ensino, ao terminar os estudos voltou para sua cidade a fim de ficar próximo da família e, principalmente, de sua mãe, que estava doente naquela época. Mas foi em Piracicaba que Joussef encontrou o lugar ideal para exercer a profissão. “Aqui cresci pessoal e profissionalmente”.

Ele carrega na bagagem uma trajetória marcada por muito trabalho, transparência e grandes conquistas. Um dos tantos frutos de seu comprometimento profissional foi a chegada à presidência da Unimed Piracicaba em 2012, cargo conquistado por meio do reconhecimento e confiança da classe médica e da sociedade piracicabana. À frente da Cooperativa há dez anos — e reeleito em fevereiro por mais quatro anos, Joussef resgatou a credibilidade da marca e a confiança de beneficiários, que, hoje, somam mais de 190 mil pessoas da cidade e região. Ele recuperou a estrutura econômica, jurídica e legalista da Instituição e apostou no investimento em novos serviços e tecnologia. “Impulsionamos a qualidade médica e pautamos a gestão assistencial no combate ao desperdício, o desnecessário, o ineficaz e o superfaturado nas relações corporativas e na qualidade assistencial. Inauguramos, em outubro do ano passado, o Centro Administrativo, em um prédio junto ao complexo hospitalar, e está previsto ainda para este semestre o novo Centro Comercial e de Saúde Ocupacional, Centro de Oncologia e Hemodiálise ainda no Hospital Unimed Piracicaba. A construção de um Centro de Prevenção e Reabilitação faz parte do programa de reestruturação, além de um novo hospital com mais leitos e centro cirúrgico”.

Em janeiro, Piracicaba registrou um aumento de casos e de mortes por Covid-19, em relação ao verificado no mesmo período do ano passado. Qual avaliação da Unimed sobre esse cenário, a cooperativa registrou mudança no atendimento no comparativo com 2021?

Notamos que o perfil do paciente, a evolução clínica e o desfecho clínico mudaram em relação ao mesmo período de 2021. Desde o final de dezembro do ano passado, registramos um grande aumento no número de atendimentos no setor de urgência de pacientes com sintomas gripais mais leves e sem necessidade de internação. Como o número de casos absolutos foi maior, notamos baixa de internações na enfermaria principalmente, mas com uma menor incidência de internação em UTI, quando comparada com 2021. Observamos também internações por doenças crônicas descompensadas, associadas à infecção pela covid-19.

O surgimento da variante Ômicron trouxe preocupação ao gerenciamento da pandemia pela Unimed Piracicaba? Sem dúvidas trouxe e acompanhamos diariamente os dados nacionais e de diversos países, buscando entender melhor as tendências da pandemia e, com isso, garantir preparação e planejamento mais adequados para atender nossos beneficiários. Por exemplo, já esperávamos por uma grande procura por atendimento médico na tenda criada exclusivamente para sintomas relacionados à covid-19 e síndromes gripais. Rapidamente, ampliamos esse espaço e disponibilizamos maior número de médicos, possibilitando acesso e conforto aos nossos usuários.

Como está a ocupação de leitos destinados a pacientes com covid-19 no Hospital Unimed?

A taxa de ocupação atual é praticamente insignificante.

Com o aumento de casos neste início do ano, houve escassez de exames para detecção do novo coronavírus na maioria das cidades no Estado de São Paulo. A Unimed enfrentou ou tem enfrentado essa dificuldade?

Enfrentamos. Diante da escassez de teste rápido de antígeno covid-19 no mercado nacional, da dificuldade na realização de PCR para detecção da Sars-Cov2 e de garantir teste para pacientes de maior risco (gestantes, idosos e imunossuprimidos), com critérios de internação, definimos regras de coleta dos testes, seguindo as orientações da Sociedade Brasileira de Medicina Diagnóstica, em consonância com os protocolos dos principais serviços de saúde do País. Ressalvo que a Unimed Piracicaba continua acreditando que é fundamental testar e fazer diagnóstico para controle da pandemia, iniciativa essa que foi garantida aos nossos beneficiários durante a maior parte da pandemia até janeiro de 2022, sendo suspensa temporariamente pela dificuldade na aquisição dos insumos.

Qual a medida adotada pela cooperativa para chegar ao diagnóstico?

A testagem em massa de beneficiários que passavam por atendimento assistencial na tenda covid-19 do Hospital Unimed Piracicaba, seguindo protocolos de saúde. A Unimed Piracicaba teve dificuldades para aquisição de outros insumos necessários para o enfrentamento da pandemia? Não, apenas com a aquisição de testes para covid-19. Inclusive, hoje, já voltaram a normalidade.

Qual a avaliação do senhor sobre a pandemia de Covid-19 em Piracicaba e de como as autoridades de saúde tem enfrentado a crise?

A pandemia de covid-19 traz repercussões não apenas de ordem biomédica e epidemiológica em escala global, mas também repercussões e impactos sociais, econômicos, políticos, culturais e históricos. A estimativa de infectados e mortos concorre diretamente com o impacto sobre os sistemas de saúde, com a exposição de populações e grupos vulneráveis, a sustentação do sistema financeiro e da população, a saúde mental das pessoas em tempos de confinamento e temor pelo risco de adoecimento e morte, acesso a bens essenciais como alimentação, medicamentos, transporte, entre outros. Ao longo desses dois anos, os sistemas público e privado da cidade conseguiu, graças ao comprometimento de seus líderes e representantes, acompanhar de perto a população mesmo diante de tantas incertezas e altas taxas de internações em leitos de enfermaria e UTI. Além disso, a necessidade de ações para contenção da mobilidade social como isolamento e quarentena, bem como a velocidade e urgência de testagem, medicamentos e vacinas evidenciam implicações éticas e de direitos humanos que merecem análise crítica e prudência. Vale lembrar, ainda, que a pandemia não acabou e que devemos estar em alerta para assistir aqueles que precisam de nossos serviços de saúde.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br

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