Ser dono do próprio negócio e sem ter que responder à chefia é um ramo que deve seguir em alta, diz economista
No Brasil, três em cada dez pessoas trabalham por conta própria, um total de 25,5 milhões de profissionais é o que revela uma pesquisa desenvolvida pela FGV (Fundação Getulio Vargas). As estatísticas, retiradas da Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios) Contínua, são recordes desde 2015, quando a pesquisa começou a acompanhar o grau de qualificação dos trabalhadores. A autora do estudo, Janaína Feijó, chama a atenção para os níveis de escolaridade.
O percentual dos trabalhadores por conta própria com ensino superior aumentou desde o início da pandemia. Até o terceiro trimestre de 2019, os que faziam ‘bicos’ eram 9,5% do total de autônomos sem registro, enquanto os com CNPJ representavam 28,6% dos formalizados. Em 2021, eles correspondiam a 11% e 30,9%, respectivamente.
Enquanto a maioria dos com CNPJ tem ensino médio ou superior completo, 53,7% dos informais sequer chegaram a terminar o segundo grau”, analisa Janaína: “Sem a qualificação, fica difícil se inserir no mercado. Então, eles acabam indo para o setor de serviços, trabalhando como ambulantes, por exemplo.
Janaína afirma ainda que a pandemia intensificou um fenômeno que cresceu nos últimos anos: a pejotização. Ao invés de contratar funcionários com carteira assinada, os empregadores selecionam prestadores de serviço.
Para ela, a insegurança do cenário econômico faz com que as empresas não queiram estabelecer novos vínculos trabalhistas
que gerem encargos.
Além disso, ela aponta a desburocratização na abertura de empresas como fator importante para o crescimento do número de microempreendedores individuais (MEIs).
Num cenário de elevado desemprego, conseguir a primeira oportunidade sem nenhuma experiência torna-se uma tarefa desafiadora. Para se virar, muitos jovens já começam a vida profissional com o trabalho por conta própria. A quantidade de MEIs no ano de 2022, de 18 a 24 anos cresceu 204% sobre 2019.
EMPREENDEDORISMO
A formalização por meio da inscrição no MEI traz vantagens, segundo o analista do Sebrae, Felipe Antunes, como a possibilidade de emitir notas fiscais ou fazer negócio com empresas maiores, o acesso a linhas de crédito que garantem capital de giro e direitos previdenciários assegurados.
“As atividades com o maior número de registros foram comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios; cabeleireiro, manicure e pedicure; fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliar; e promoção de vendas”, conta.
Antunes ainda diz que pessoas que embarcam no chamado “empreendedorismo de necessidade”, em geral, anseiam por uma nova oportunidade de carteira assinada.
Aqueles, no entanto, que têm como projeto de vida empreender devem, antes, investir em capacitação: “Também é necessário procurar conhecer o mercado onde quer atuar, descobrir onde quer abrir o negócio, quem é o publico para o qual vai fornecer
o serviço.”
Laís Seguin
lais.seguin@jpjornal.com.br
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