Bloco da Salomé mantém viva amizade da mais tradicional república estudantil

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Por trás do grupo carnavalesco está a Pocilga, que investe em solidariedade

A república Pocilga, localizada no Centro de Piracicaba, mais precisamente no quarteirão do Bar do João, foi a mais tradicional entre os estudantes da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) na década de 90. No casarão antigo da rua Vergueiro não morava apenas adolescentes: lá vivia a Salomé, uma mascote pra lá de original bem como as pessoas que passaram pela república. O animal de estimação pouco usual deu nome ao bloco em 2016, data da fundação, e não incluiu somente festejar o Carnaval, mas fazer arrecadação para entidades beneficentes. As informações são dos coordenadores da Salomé, Marcio Eduardo Biscalchim, Luciene Blumer e Fabricio Vicente Baroni, bloco que faz a alegria de cerca de 400 foliões em todo Carnaval piracicabano. Com uma espécie de samba enredo, essa turma está na programação ‘Carnaval de rua: festa do povo’ do Sesc Piracicaba, entidade que produziu uma série de clipes com seis blocos tradicionais de Piracicaba – assista aos vídeos no canal do clube do Youtube.

Criado por um grupo de amigos frequentadores do Cordão do Mestre Ambrósio, o Bloco da Salomé tem como objetivo manter viva a memória da Pocilga e promover um encontro anual dos ex-moradores e amigos da nostálgica república. “A Pocilga era conhecida por toda a cidade graças a sua mascote a Salomé. Mas, ao contrário do que muitos podem pensar, não se tratava de um cachorro, gato ou papagaio. Salomé era uma ovelha. Isso mesmo, uma ovelha. E das mais animadas. Companheira e baladeira, foi tema de várias festas memoráveis, dedicou sua vida à missão de animar a galera que passou pela da boa e velha Pocilga e ficou famosa graças a seu grande carisma. Hoje Mé, como também era chamada, não está mais entre nós. Mas permanece mais viva do que nunca”, contam os organizadores do bloco.

Uma das coisas mais gratificantes para os membros do Bloco da Salomé é a solidariedade. “Arrecadamos, entre os foliões, leites para serem doados para instituições sociais, que prestam atendimento às crianças e adolescentes de Piracicaba. No último evento em 2020, conseguimos arrecadar mais de 400 litros de leite.”

Para botar o bloco na rua, a turma da Salomé emprega diretamente aproximadamente 50 pessoas, entre músicos das bandas, seguranças, limpeza, trio elétrico, confecção de camisetas e fantasias e decorações. “As comunidades se organizam para brincar o carnaval, mantendo os laços culturais e gerando renda, um movimento legítimo e democrático que deve ser preservado e apoiado pela sociedade e Estado.”

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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