Levantamento foi feito pelo economista Ricardo Buso a pedido dos Parlamento Metropolitano de Piracicaba
Em 2021, a RMP (Região Metropolitana de Piracicaba) exportou para Rússia e Ucrânia US$ 48,45 milhões. No movimento contrário, a região comprou destes países, também no ano passado, US$ 14,34 milhões. Com a guerra deflagrada nesta semana na Ucrânia pelo presidente russo, Vladimir Putin, o Parlamento Metropolitano de Piracicaba pediu um levantamento sobre a relação comercial das 24 cidades da região. Os dados foram levantados pelo economista Ricardo Buso, assessor especial do presidente do Parlamento, Gilmar Rotta (CID). “A análise das relações comerciais das cidades que envolvem a Região Metropolitana de Piracicaba com Ucrânia e Rússia surpreende quanto à movimentação de recursos que podem ser afetados com o conflito”, diz Rotta.
Segundo Buso, do total de US$ 48,45 milhões exportados pelo conjunto dos municípios aos dois países, cerca de 75% (US$ 36,51 milhões) se destinaram à Rússia, ficando a Ucrânia com o residual do saldo. “No total de R$ 14,61 milhões de importações, a predominância russa se intensificou, com 82% do total, equivalente a US$ 11,94 milhões”, informa o economista.
O saldo comercial com os países envolvidos no conflito foi favorável à RMP, com as exportações superando importações em cerca de US$ 34 milhões, gerando uma balança comercial positiva para a região. E a chamada corrente de comércio para RMP, Rússia e Ucrânia, que soma exportações e importações entre territórios, foi de aproximadamente US$ 63 milhões no ano. “Embora os números se mostrem proporcionalmente pouco expressivos, a questão a se observar é que são clientes de nossa produção e, consequentemente, qualquer agravamento de tensão pode requer do bloco vendedor a atenção em remanejar o destino da produção”, alerta Buso.
MUNICÍPIOS
Detalhando a análise por cidades da RMP, o destaque, em termos absolutos, fica para Piracicaba, que atingiu um saldo comercial de US$ 42 milhões (em exportações que superaram as importações) com os dois países. A conta foi reforçada através da marca de US$ 32,50 milhões de exportações piracicabanas à economia russa. Na soma das exportações do município, o equivalente a 1,87% se destinou aos países em questão. Para Gilmar Rotta, o valor é considerável e precisa receber a atenção diante dos reflexos que pode causar em cadeia, tanto na geração de recursos quanto para renda dos trabalhadores.
Embora com cifras absolutas menores, o estudo aponta que Iracemápolis se assemelha a Piracicaba na importância proporcional das exportações ao conjunto conflituoso. A fatia de 1,83% de suas exportações foi para lá enviada. Já Rio Claro tem relação inversa, mais dependente de importações dos dois países. Suas compras superaram em US$ 13 milhões as exportações, principalmente da Ucrânia, de onde vem 3% de suas importações. Num caso mais extremo, a preocupação local seria a de substituir vendedores. Pirassununga e Santa Gertrudes na RMP também têm importações superiores às exportações nas relações com Rússia e Ucrânia.
Rotta afirma que tratar apenas das relações diretas de comércio internacional entre os envolvidos seria analisar com simplicidade os riscos. “É preciso analisar um contexto maior, dos dois países em questão como supridores de importantes cadeias produtivas globais, que impactam também o Brasil e que não há qualquer tipo de imunidade à Região Metropolitana de Piracicaba”, afirma o presidente.
PRODUTOS
A economista Cristiane Feltre, professora do Centro de Economia e Administração da PUC (Pontifícia Universidade Católica), avalia que as exportações da RMP para a Rússia “não devem ser muito afetadas, já que o país não foi invadido por outra nação”. Já as Exportações da região para a Ucrânia “devem ser bastante afetadas, dado o pouco poderio militar do país frente à Rússia”.
A compra da Rússia em Piracicaba se concentra em máquinas e equipamentos (58%) seguido por compostos aminados de funções oxigenadas (30%), como o álcool, totalizado em US$ 32,16 milhões. Já a participação da Rússia no total exportado pela RMP desses dois produtos foi de US$ 1,67 bilhão (1,9%). “A Rússia não é um grande parceiro comercial do Brasil e está na posição número 22 no ranking das exportações da RMP. Não somos muito afetados diretamente, porém, o país tem forte influência nos preços do gás, petróleo e preços de outras commodities”, observa a economista.
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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