O grupo participa da festa tradicional desde 2013 e inseriu a corte real no cortejo
O Maracatu Baque Caipira não é propriamente um bloco de Carnaval, mas participa desta festa tradicional desde 2018 a fim de apresentar a cultura afro-caipira e de povos tradicionais e, também, coroar rei e rainha ligadas à temática escolhida para o ano. O Baque conta com 35 integrantes e, quando sai com a corte real carnavalesca, chega a ter 120 pessoa – incluindo todas as alas formadas, como das baianas, lanceiros, caboclos, vassalos, entre outros, totalizam até 120 pessoas. Todos se juntam aos foliões com a participação de um público que chega a cerca de 1.500 pessoas. Com a música ‘Castigo pra fascista’, o grupo está na programação do Sesc Piracicaba, entidade que produziu uma série de clipes com seis blocos tradicionais de Piracicaba – assista aos vídeos no canal do clube do Youtube.
As participações do Baque no Carnaval piracicabano começaram anteriormente ao formato atual, conta a coordenadora e batuqueira do grupo, Natalia Puke. “O Baque Caipira é um grupo percussivo de maracatu de baque virado, portanto, não é um bloco de Carnaval. E sim uma manifestação popular de Piracicaba. A sua fundação não tem relação propriamente com o Carnaval embora, desde 2013, estamos participando de vários eventos carnavalescos. O Baque Caipira se forma a partir de um grupo para estudos dos ritmos brasileiros com valorização das matrizes afro-brasileiras, indígenas e caipiras.”
A partir de 2018, Natalia conta que o Baque reformatou suas participações nos Carnavais. “Começamos a realizar o cortejo de pré-Carnaval. Nesse primeiro ano, fizemos uma parceria com o Bloco Pira Pirou para fazer uma saída de uma corte real, momento de coroação do rei e rainha do Baque Caipira. Diana, do Samba de lenço, foi a rainha e o rei, Mestre Dado, do Batuque de Umbigada (falecido em 2020, vítima da covid-19).”
Nos anos seguintes, 2019 e 2020, o Baque realizou dois cortejos de forma independente, mas com a mesma proposta de fazer a formação de uma corte real evidenciando os representantes das culturas negras, populares e tradicionais. “Nesses cortejos sempre há uma temática para homenagens: 2019 foi São Benedito e, em 2020, os Paiaguás, povos nativos de Piracicaba. Aos cortejos também apresentamos elementos próprios do maracatu de Recife, berço do baque virado, dialogando com a nossa terra. O Baque Caipira toca o ritmo, traz os personagens das nações de maracatu, mas, também, valoriza os nossos referenciais locais.”
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
LEIA MAIS