Vereadores avaliam como inadequada a forma de conservação das obras do acervo da Pinacoteca

Por Laís Seguin |
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Grupo de vereadores constatou problemas na infraestrutura da sala e na disposição dos quadros e telas

Um grupo de vereadores questionou ontem (segunda-feira) a maneira - a qual divulgaram ‘inadequada’- de conservação às centenas de obras de arte do acervo da Pinacoteca Municipal Miguel Dutra que, no momento, estão armazenadas no Teatro Erotídes de Campos, no Parque do Engenho Central. Conforme fotos divulgadas no site da Câmara Municipal, a sala do teatro onde estão os quadros tem uma abertura com tela no teto, revelando a falta de isolamento necessário do ambiente ao meio externo – podendo o material sofrer com umidade, calor ou insetos. O secretário de Cultura, Adolpho Queiroz, recebeu a comitiva, mas não prestou qualquer esclarecimento aos parlamentares sob a justificativa de que aguarda um pedido oficial (requerimento) da Casa de Leis sobre o assunto. As informações são da assessoria de imprensa da Câmara. Até o fechamento desta matéria, a atual gestão não se manifestou sobre o assunto.

Estiveram no local Rai de Almeida (PT), Sílvia Morales (PV) e Zezinho Pereira (DEM). “É uma pena a gente ver a forma como está sendo feita a gestão da cultura, do patrimônio da nossa cidade. Não somos contra a construção de uma nova pinacoteca, mas reforçamos que a sociedade precisa de mais espaços culturais”, disse a vereadora Rai sobre o encerrar as atividades da casa de artes plásticas no Centro.

As telas, esculturas e quadros foram transferidos do prédio da rua Moraes Barros, no Centro, para o Parque do Engenho Central, onde será construída uma nova pinacoteca. As telas estão armazenadas em gradis (usados em eventos para contenção de público), envolvidos com plástico-bolha e, as maiores, estão em andaimes. Antes de serem transferidas da Pinacoteca, estas mesmas obras eram acondicionadas em trainéis, equipamentos específicos para quadros e telas.

Algumas obras mantém a embalagem com papel kraft, trabalho feito pelos próprios servidores da Semac (Secretaria da Ação Cultural), mas outras estão encostadas umas nas outras, no mesmo pacote. Como são de diferentes tamanhos, as estruturas das molduras de algumas peças fazem peso sobre as que estão embaixo, o que, segundo os vereadores, pode danificar as obras de arte.

Os vereadores também questionaram a ausência de acompanhamento técnico para a transferência do acervo, pois muitas obras são fruto dos prêmios aquisitivos dos salões de Belas Artes, Arte Contemporânea e o de Aquarelas. Outro ponto abordado foi a falta de contratação de um seguro para o material. Na sede originária da Pinacoteca, no Centro, aconteceu mais um flagra: a praça do entorno está abandonada, com mato alto e há lixo acumulado no local.

MONTE ALEGRE
Outra constatação feita pelos vereadores diz respeito aos documentos históricos da antiga Usina Monte Alegre. Eles localizaram pacotes do material guardados em um barracão do Engenho que não é totalmente fechado e está em péssimas condições de conservação. O diretor do Engenho, Antonio Domingos Padovan, informou à comitiva que o espaço tem cerca de três mil caixas. Ainda conforme Padovan, a culpa do mau acondicionamento dos documentos é da gestão anterior.

Outras explicações do diretor aos vereadores foram: que os documentos que estão no barracão são de outros municípios e foram colocados no espaço à espera da destinação; que os documentos que são de Piracicaba foram embalados e guardados em outra sala da administração do Engenho; e, por fim, garantiu que o local não recebe umidade da chuva.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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