Orquestra Sinfônica da Unicamp apresenta a ópera A Moreninha

Por Laís Seguin |
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Apresentação levou muitos artistas ao palco e a exibição acontece hoje, on-line

‘A Moreninha’, de Ernst Mahle, 93 anos, foi a peça de ópera escolhida para ser executada pela Orquestra Sinfônica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). O espetáculo foi gravado nesta semana na Sala 1 do Teatro Municipal Dr. Losso Netto e será exibido hoje (sexta-feira), às 18h, online pelo canal da TV Unicamp no Youtube. A atividade integra as comemorações dos 100 anos da Semana de Arte Moderna em Piracicaba e do aniversário de 40 anos da orquestra.

A ópera é baseada no livro homônimo de Joaquim Manoel de Macedo. A obra tem libreto de José Maria Ferreira e música composta por Ernst Mahle. No palco estão 13 profissionais que se dividem entre atuar e cantar, todos acompanhados de 22 instrumentistas. O enredo trata dos encontros e desencontros dos enamorados Augusto e Carolina e de outros personagens peculiares, como o apreciador de vinhos Sr. Keblerc, a simpática e acolhedora senhora D. Ana e a hipocondríaca D. Violante. Elementos modernistas estão presentes no figurino, no cenário minimalista e na orquestra, que fica junto aos cantores no palco e não no fosso, como é mais comum.

A Moreninha teve sua estreia em Bonn, na Alemanha, em 1992, e foi apresentada em várias cidades do Brasil, como Piracicaba, Rio Claro, Campos de Jordão, São Paulo, Londrina e Campinas. “Não é que a obra tenha uma relação direta com a Semana de Arte Moderna de 22, mas, o fazer ópera brasileira certamente é uma forma de seguir o que o movimento estava buscando e depois, no antropofagismo, de se cantar em brasileiro, não simplesmente fazer um repertório eurocêntrico, como sempre foi feito por conta da música erudita. Foi escolhida ‘A Moreninha’ por ser um projeto de pesquisa de doutorado de uma piracicabana, a Raíssa Amaral, que tem trabalhado com a obra do Mahle há tempos, e por ser uma obra genuinamente brasileira”, salienta o professor e diretor do espetáculo, Ângelo Fernandes.

Raíssa Amaral, que é piracicabana, interpreta Carolina e é responsável pela preparação musical. “Meu primeiro contato com a música e com o canto foi com o compositor Ernst Mahle, quando iniciei meus estudos, na Escola de Música que leva seu nome. No momento que precisei escolher o projeto de doutorado escolhi essa obra, A Moreninha, que já havíamos montado em Piracicaba, foi a segunda montagem, a primeira foi há 30 anos, também com alunos da Unicamp. Mahle se encaixa perfeitamente nas características do movimento modernista de 1922, pela sua peculiaridade na escrita, que agrega elementos românticos com o atonal.”

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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