Região fica positiva na balança comercial de janeiro, com saldo de US$ 3 milhões

Por Laís Seguin |
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Preço dos importados em janeiro é quase seis vezes maior do que o exportado, indicando desindustrialização

A balança comercial da RMP (Região Metropolitana de Piracicaba) registrou saldo positivo de cerca de US$ 3 milhões em janeiro de 2022. O resultado deste ano é superior em US$ 7,5 frente ao mesmo mês de 2021, quando o saldo foi negativo em US$ 4,5 milhões. A balança comercial é o cálculo da diferença entre exportações e importação – quando o ideal é exportar mais do que importar; quando há resultado negativo, representa maior volume de compras em outras países do que vendas. A má notícia é que Piracicaba figurou como o pior desempenho no primeiro mês deste ano.

O levantamento é de autoria da economista Cristiane Feltre, professora do Centro de Economia e Administração da PUC (Pontifícia Universidade Católica), na unidade de Campinas. Os dados são da plataforma Comex Stat, números oficiais da movimentação internacional da base do governo federal.

“O preço dos produtos importados em janeiro (US$ 6,04) foi, em média, quase seis vezes maior que o dos produtos exportados (US$ 1,05)”, destaca a economista Cristiane Feltre, criadora da página RMP em Números (Facebook e Instagram).

Entre as mais de 20 cidades que compõem a RMP, Piracicaba ficou na ‘rabeira’ com uma balança negativa para janeiro em US$ 83,4 milhões, influenciada pelo volume de importações de peças de equipamento de transporte, peças para bens de capital e bens de capital – este grupo representa 45% das importações do município. A cidade de Leme apresentou o melhor desempenho entre os municípios com um saldo positivo de US$ 34,8 milhões – 75% das exportações do município foram concentradas em sumos de frutas ou de produtos hortícolas.

Uma grande parte das exportações da RMP, aproximadamente 50%, ficou concentrada na venda de apenas três produtos, dos quais 29% são máquinas e equipamentos (bulldozers, angledozers, niveladoras, raspo-transportadoras, pás mecânicas, escavadoras, carregadoras e pás carregadoras, compactadores e rolos ou cilindros compressores, autopropulsores); 12,7% são sumos de frutas ou produtos hortícolas; e 7,3% são açúcares de cana.

Os principais destinos das exportações da RMP foram Estados Unidos (18,7%), Bélgica (10,4%), Argentina (5,8%), Rússia (4,6%), Chile (4,3%), Peru (4,2%), China (3,9%) foram responsáveis por 52% das exportações da RMP. Já as importações foram concentradas em produtos de média-alta tecnologia, como peças de equipamento de transporte, peças para bens de capital e bens de capital com destaque para as importações de Piracicaba. A região comprou mais dos Estados Unidos (25,8%), China (21,1%) e Coreia do Sul (20,5%), grupo responsável por 67,4% das importações da RMP.

SOLUÇÕES
Mas por que a sociedade e governos deveriam se preocupar com um volume de importações maior frente às exportações. A economista Cristiane Feltre aponta problemas e soluções. Um dos pontos a serem resolvidos é a concentração das vendas em um único país, os Estados Unidos, e os produtos feitos na região com baixos conteúdo tecnológico e o valor agregado.

A solução para vender lá fora produtos da região com mais tecnologia e maior preço bem como importar menos é o investimento estatal em pesquisa e desenvolvimento na produção de conteúdo tecnológico regional. “Dispomos de universidades, escolas técnicas e institutos de pesquisa. Precisamos de políticas para atração de empresas para a região, não baseadas apenas em isenções fiscais ou concessão de terrenos públicos. São necessários contratos com contrapartidas, em que empresas se comprometam não só a gerar empregos formais, mas a formar capital humano na região e desenvolver pesquisa com registro de patentes no Brasil.”

Para exemplificar, a economista usa o modelo aplicado na cidade de Shenzhen, conhecido Vale do Silício da China. O local se tornou um importante centro de tecnologia global passando de uma mera vila de pescadores ao maior PIB (Produto Interno Bruto) chinês com investimentos do governo em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento).

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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