Especialistas explicam os principais sinais que indicam esse comportamentoecomo o tutor deve agir
Os animais podem ser muito apegados aos tutores, a ponto de não querer dividi-los com ninguém. Essa dependência pode prejudicar o pet quando ele estiver sozinho em casa ou não quiser socializar com outras pessoas ou bichos.
Luciana Portugal, especialista em comportamento animal, conta que, na natureza, os animais buscavam recursos, como comida, para sobreviver. Após encontrar, determinavam o item como seu e o protegiam. Com a domesticação, o tutor passou a ser o provedor de todos os recursos. "Ele provê vários elementos importantes, como sua comida, seus brinquedos, a atenção que ele dá em brincadeiras, carinhos, etc.”, explica, o que faz com que os animais queiram o proteger do resto do mundo.
O ciúme acontece quando o animal se sente ameaçado ao perceber que precisa dividir o tutor com outras pessoas, como um bebê, amigos ou outro animal da casa.
Um cão, por exemplo, começa a demostrar comportamentos diferentes, que podem ser sutis, como ficar quieto, alterando apenas a forma de olhar e abanar o rabo, ou agressivos, como latir, rosnar, morder e fazer as necessidades em locais inadequados. Há ainda, segundo os especialistas, mudanças corporais que indicam o ciúme do animal, como o pelo do pescoço arrepiado. Orelha em pé é um sinal de atenção e alerta, enquanto recuar e latir demonstra a insegurança do cão e a procura por um lugar para se proteger.
Para resolver o ciúme do cachorro, o tutor precisa perceber as atitudes do pet e mudar o foco da ação, segundo o adestrador Marcelo Handog. Ele explica que, por exemplo, se alguém de fora chegar em casa, pode pegar um petisco ou pedaço de carne para mudar o foco do animal e associar a nova presença a um fator positivo.
Ele indica que o tutor estabeleça o desapego do animal para desenvolver independência, como determinar lugares e horários para o cachorro comer, fazer as necessidades e dormir. “Eu posso enriquecer esse ambiente para treinar o bicho a ficar sozinho, colocando vários brinquedos e dando osso, ao invés de precisar corrigir depois”, diz o adestrador.
Luciana também compartilha outra dica para prevenir o ciúme, por meio da modificação de antecedentes, ou seja, alterando o dia a dia do cão e adaptando o ambiente para deixá-lo confortável.
Ela usa como exemplo uma família à espera de um bebê. Durante a gestação, a mulher pode deixar o cachorro descansar próximo à barriga e depois do nascimento, apresentar o bebê de maneira gradual ao pet.
Outra dica é deixar as primeiras roupas usadas pela criança na maternidade para o cachorro cheirar antes da chegada dela.
Se o pet tem acesso ilimitado aos cômodos da casa, deixá-lo dormir, por um tempo, no quarto do bebê. “Imaginar como será a rotina após a chegada do bebê e já adaptar os horários, colocar sons de neném para o cão ir se acostumando e preparar antes o ambiente no qual o animal irá ficar, para não ter tanta mudança depois”, explica. Os especialistas ainda alertam que procurar um profissional adequado para auxiliar no treinamento e mudança de comportamento é sempre a melhor opção.
Laís Seguin
lais.seguin@jpjornal.com.br
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