“Me escondi por anos por ter vitiligo. Hoje, minhas manchas me dão orgulho”

Por edicao_jp |
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Idealizadora de projeto de conscientização sobre a doença conta experiência pessoal

Há 20 anos, a ativista Maika Celi sofreu um acidente de moto, não foi muito grave, porém lesionou a sua pele. Na fase da cicatrização, reparou que algumas partes não voltaram a ter pigmentação e foi quando ela decidiu marcar uma consulta com dermatologista. O diagnóstico foi traumatizante, a médica olhou para ela e disse: ‘Ai, que dó, é vitiligo’.

O vitiligo é uma doença autoimune caracterizada pela perda da coloração da pele em virtude da destruição dos melanócitos, que são as células que formam a melanina, o pigmento que dá cor à pele.

O resultado são manchas brancas pelo corpo, de tamanhos variados.

Apesar da sua causa ainda não estar esclarecida, acredita-se que está relacionada com fatores genéticos, ambientais e imunológicos, podendo ser desencadeado por situações de estresse, por exemplo. Deve-se lembrar que o vitiligo não é contagioso, nem limitante, entretanto, pode ser hereditário e mais comum entre membros da mesma família.

“A partir daquele momento, comecei me achar uma coitada, mesmo. Pensei que meu mundo havia acabado, que eu seria excluída da sociedade e que me tornaria uma pessoa triste. Confirmei a doença com outros médicos e pulei de tratamento em
tratamento”, relembra.

Após dois anos desde o acidente, as manchas já estavam bem maiores e atingiam as extremidades do corpo: mãos, pés, rosto, axilas e também o colo. O tratamento a frustrava, ficava ansiosa por um resultado e se decepcionava.

Em razão disso, Maika começou a usar maquiagem, calça comprida, camiseta de manga longa e luvas. Independente da temperatura, essa era a tentativa de esconder o próprio corpo.

Passado um tempo começou a se aceitar e contar suas experiências com a doença, de forma involuntária, devido à um assédio moral que sofreu anos atrás, em que algumas pessoas em seu trabalho tentaram a expor nas redes sociais usando o vitiligo para a atingir e constranger. “Veio uma força maior e um sentimento de que ninguém mais me humilharia por conta do vitiligo. Desabafei nas redes sociais para trocar experiências, só não imaginava que iria tomar uma proporção tão grande como está hoje”, conta.

Maika começou a receber mensagens de todo o Brasil vindas de pessoas que diziam ter sido inspiradas a se aceitar e a deixar de sentir vergonha por ter a doença e para a surpresa e alegria de todos, principalmente da ativista, o projeto que ela idealizou, chamado “Vitiligo, meu lugar ao sol” conquistou a primeira lei de conscientização sobre o assunto, no Brasil. A lei foi aprovada em 2019, após contato de Maika com a Câmara Municipal de Vereadores em 2018, para relatar que sentia falta de uma legislação municipal que tratasse sobre o vitiligo.

Ela disse que a aprovação da lei ajudaria na promoção de eventos, rodas de conversa, palestras e exposição de fotos em áreas públicas e escolas, por exemplo. Depois dessa iniciativa, outros municípios sentiram a necessidade de levar essa ideia e já foram aprovadas leis semelhantes em Saltinho e Santa Bárbara d’Oeste, contou. “Quero lutar, conquistar nosso espaço, e fazer com que todos tenham dignidade. Sinto que preciso fazer muito mais”.

Laís Seguin
lais.seguin@jpjornal.com.br

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