Manuseio de cadáver em unidade médica é questionado e causa revolta nas redes sociais

Por Laís Seguin |
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Registro foi feito por pintor, que buscava notícias da mãe que estava internada com covid-19 na UPA

O pintor Reginaldo Quirino Souza aguardava notícias da mãe, a dona de casa Arlete de Lara Souza, que estava internada na UPA (Unidade Pronto Atendimento) ‘Dr. Fortunato Losso Netto’, no Piracicamirim, na quarta-feira (26), quando percebeu uma maca na área externa da unidade com um corpo coberto com um lençol e uma folha de sulfite sobre o cadáver. Segundo ele, a cena poderia ser vista por todos que passavam pela rua, pois a unidade é cercada por alambrado. Souza disse que, o corpo permaneceu no local, sob o sol, por cerca de uma hora, até uma um carro funerário chegou ao local e dois homens colocaram o corpo dentro do caixão, que ficou no chão, ao lado da maca durante o manuseio do cadáver.

O pintor decidiu registrar a cena em fotos, que circularam ontem pelas redes sociais. Ele disse que ficou preocupado pois a mãe estava internada na unidade com covid-19 e até então estava sem notícias. “Poderia ser a mãe ou o familiar de qualquer pessoa que estava ali, esperando notícias, achei um desrespeito, as pessoas não são mercadorias”, reclamou.

Souza conseguiu falar com a médica responsável pelo atendimento prestado à mãe. Ele disse que a profissional informou que aguardava o resultado de uma exame mais específico para poder transferir a paciente a uma UTI de covid-19. Ele disse que a mãe foi internada no sábado (22) com sintomas da doença e que um teste rápido, feito na UPA atestou covid-19. Souza contou que a mãe manteve contato com a família durante três dias, pelo celular e depois os contatos cessaram e a família foi informada que Arlete estava entubada. “Como minha mãe está entubada se a UPA não tem UTI?”, questionou. Ele disse que procurou pela direção da UPA e que conseguiu a transferência da mãe para uma UTI em São Pedro. A Saúde informou que a paciente foi devidamente monitorada pelas equipes.

OUTRO LADO
Sobre a maca com o corpo, a Secretaria de Saúde informou que é um equívoco a informação que circulou pelas redes sociais sobre o corpo ao lado de fora da unidade. “A divulgação da imagem ocorreu por pessoas de má-fé que decidiram expor uma situação atípica, o que a prefeitura lamenta”, informou. Segundo a Saúde, uma funerária de Curitiba, que não conhece a rotina da UPA, não conseguiu acessar de forma apropriada o local onde são guardados os corpos dos pacientes que chegam a óbito. “Assim, para ter acesso ao corpo que deveria ser transladado, o funcionário da funerária, junto a um funcionário da UPA, precisou retirar para fora um outro corpo que também estava no local, que foi recolocado poucos minutos depois”, informou. Segundo a pasta, a partir do momento que o corpo é liberado para a funerária, todo manejo é realizado pela própria empresa, dentro do local onde o corpo estará acondicionado, saindo diretamente para o carro de transporte, ou seja, não é de responsabilidade da unidade.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br

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