Economia paulista cresce 5 vezes mais que a brasileira, mas não chegará a 1% neste ano

Por Laís Seguin |
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Os dados são da Fundação Seade e indicam que o desempenho em 2022 não repetirá anos anteriores

Pela primeira vez, desde o início da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 1995, a economia de São Paulo cresceu mais do que o Brasil por três anos consecutivos. Agora, para 2022, o Estado não deve chegar nem a 1% de crescimento, prevê a fundação. Os cálculos foram divulgados ontem (quarta-feira) pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados Estatísticos). A previsão de publicação dos PIBs (Produto Interno Bruto) por município paulista é para o final de 2022, informa a fundação. De 2019 até o terceiro trimestre de 2021, o Estado expandiu 7,5% – o resultado para o Brasil no mesmo período foi de 1,5%. Para o ano passado a estimativa é de expansão econômica de 5,9%, pouco acima do que deve ser para o País, de 4,7%.

O desempenho estadual para o acumulado entre 2019 e parte do ano passado representa uma evolução superior em cinco vezes frente ao resultado nacional. “Nossa economia cresceu e a empregabilidade também. Seguimos acelerando contratações em janeiro e, certamente, daremos mais um salto positivo em geração de empregos no Estado em decorrência do crescimento econômico”, garantiu o governador João Doria (PSDB).

O secretário de Fazenda e Planejamento do Estado, Henrique Meirelles, atribui aos bons índices econômicos a condição de Estado líder no País na vacinação contra a covid-19. Outros pontos puxaram para cima o crescimento do PIB, como setores de produção e serviços diversificados e altamente especializado, bem como a concentração da indústria de alta e média-alta tecnologia. Também valeu destaque na avaliação do governo o status da Capital paulista ser o maior centro financeiro da América Latina.

2021 & 2022
Em relação ao crescimento projetado de 2021, a Seade levou em conta o indicador denominado PIB+30 para a projeção estadual de 5,9%. Os segmentos com crescimentos mais expressivos no ano passado foram informação e comunicação (16,7%), educação e saúde privada (13,2%), transportes e armazenagem (12,1%) e construção civil (9,9%).
“Os quatro setores juntos respondem por mais de 60% do PIB paulista”, apontou o diretor-executivo do Seade, Bruno Caetano. “São Paulo tem batido recordes de investimento públicos e também privados desde 2019. O crescimento se deu em um cenário adverso, com praticamente dois anos de pandemia, o que mostra que a economia de São Paulo segue um bom caminho”, acrescentou. Para 2022, as projeções para o PIB são de médias de 0,6% para São Paulo e 0,2% para o Brasil.

ANÁLISE
Por sua economia complexa, o Estado de São Paulo esteve descolado do cenário mundial de crise econômica e sanitária, avalia a economista Cristiane Feltre sobre o crescimento positivo entre 2019 e 2021. “O Estado produz uma diversidade muito grande de produtos e serviços e, mesmo com as crises, não é dependente de apenas um setor. Produzimos o que muita gente precisa”, diz a professora do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (Pontifícia Universidade Católica).

O mesmo não acontece para outras regiões brasileiras. “Há Estados com atividade econômicas mais preponderantes, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, muito focados na agropecuária, assim como a região Norte e Minas Gerais na mineração.”

A economista também destaca que entre 2019 e 2020, o mundo sofreu com estagnação e contração econômica por conta do novo coronavírus. “A economia mundial arrefeceu, deixando de comprar commodities [produtos de origem agropecuária ou de extração mineral, em estado bruto ou pequeno grau de industrialização, produzidos em larga escala como a soja], refletindo na exportação mais restrita para alguns Estados. E os Estados com a agropecuária mais forte sofreram com problemas climáticos, com redução da produtividade da lavoura assim como das pastagens. Assim, a economia de São Paulo é menos vulnerável aos choques externos do que outros Estados brasileiros e a economia do País.”

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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